No divã
onde ninguém concorda
corroendo a paz em aceitar
por desespero, tudo isso
Neste móvel,
os conformados, substituíveis
balançam suas cabeças
insignificantes
Quem fala, deixa voar aquele respingo de baba
que antes de se desperdiçar e tocar o chão
vê ratos sorrindo e pulando, bebê-las ainda no ar
saliva aduladora
medos contidos
De pé, ordenando
os olhos narcisos, consonantes com o desastre
a boca artificial se modela ao punir
é proibido ser feliz
é proibido perguntar
Ao lado do divã, quem fala
não tem duas orelhas
não tem apenas uma boca
e não deveria estar ali
nem tudo envelhece bem
ignorância também se acumula
sonhos triturados são usados como salto
para poder ver de cima, com todo o mal cheiro de si
o vazio do ego apaixonado por si próprio