quarta-feira, 20 de agosto de 2025

O paradoxo do regresso

Depois do inverno do teu desamparo, 
Da amarga seca de afeto, 
Teus lábios, abrigo dos meus problemas, 
Remendam, por um instante, o rasgo da flecha que me atravessou.

Numa incoerência idiota, 
Afio a faca que me cortará, 
Encontrando no cheiro que tanto me funde 
O mesmo veneno que me matou ontem.

Na busca pela dose que suporto, 
Regrido, inconformado, 
Deixando que o instante do toque me faça suportar a minha própria negligência. 
Deliro sobre o que sinto, 
Como se talvez fosse a última vez 
A sentir essa força estranha que me põe a contradizer a razão.