Da amarga seca de afeto,
Teus lábios, abrigo dos meus problemas,
Remendam, por um instante, o rasgo da flecha que me atravessou.
Numa incoerência idiota,
Afio a faca que me cortará,
Encontrando no cheiro que tanto me funde
O mesmo veneno que me matou ontem.
Na busca pela dose que suporto,
Regrido, inconformado,
Deixando que o instante do toque me faça suportar a minha própria negligência.
Deliro sobre o que sinto,
Como se talvez fosse a última vez
A sentir essa força estranha que me põe a contradizer a razão.