segunda-feira, 2 de junho de 2025

Ódio e força ética

 
Raiva é rio oculto que mina a rocha muda, 
fúria forjada em crisol de vontade fria.  
Usa o verbo afiado, a lâmina precisa,  
como o oleiro molda a cólera sombria.  

No subsolo inconsciente, sem medida,  
fermenta o fel que corrói.  
É sombra aflita,  
raiz de cardo em áridas estações.  

Uma chama anarquista domada
com força a doer os limites.
Tempero de gana ínsita, s
e não liberta, internaliza,  
vira veneno lento a penetrar.  

O vulcão que nos demora
caldeia a chama em sol interno e confuso.
Os papéis nus da consciência
organizam o ódio em força ética e lúcida.

Nas erupções que forçam migrações
homem não é quem esconde a ferida.
É quem domina o inferno e o ergue para ser,
fadigado da labuta das defesas sem perder jamais a sua ternura.