terça-feira, 24 de junho de 2025

Emaciado

Emaciado às avessas,  
Jejuando daquilo que me preenche e some,  
Vou guardando em paredes ocas, para além da miséria  
Sem preço,  
A dúvida da impermanência.  

E nos bolsos sanfonados  
De prontidão,  
Meus demônios se acomodam  
E aguardam pelo tom dramático de noites frias,  
Quebrando a quarta parede.  

Sigo pela rota rude 
Onde os fracassos são degraus  
Talhados à força na pedra bruta da vontade.  
A cada queda, um clarão ilumina a senda estreita.  

Discípulo de Sísifo,  
Como da mão de quem faz a fome,  
Respirando fundo na subida,  
Nesta luta da existência humana contra o absurdo de ideias que não me entendem