Na verdade, eu não as vejo
Digiro as cores
Duvido os valores das formas e sons que preenchem vidas
Enxergo em sépia o extraordinário indiferente
Tenho amarrado ao meu corpo
Uma junção de efemérides
Que me acontecem sucessivamente e fazem os dias iguais
Durmo e acordo com os pensamentos fora da minha cabeça
Perdidos na derrota dos rastros percebidos
Mesmo beirando o mar, minhas ondas me fazem estático
Não levam nem trazem
Estas falésias milenares não me inspiram
Os meus, sentados em volta da mesa não me explicam
É uma sina, olhar os detalhes ausentes e doer todas as culpas
Não sei
Não tenho lugar para guardar tudo isso
É maior que minhas costas
Maior que minhas gavetas