sábado, 20 de dezembro de 2025

Maior que minhas costas

Meu bem, todas as coisas que se apresentam aos meus caminhos
Na verdade, eu não as vejo
Digiro as cores
Duvido os valores das formas e sons que preenchem vidas
Enxergo em sépia o extraordinário indiferente 

Tenho amarrado ao meu corpo
Uma junção de efemérides
Que me acontecem sucessivamente e fazem os dias iguais
Durmo e acordo com os pensamentos fora da minha cabeça 
Perdidos na derrota dos rastros percebidos

Mesmo beirando o mar, minhas ondas me fazem estático  
Não levam nem trazem
Estas falésias milenares não me inspiram
Os meus, sentados em volta da mesa não me explicam
É uma sina, olhar os detalhes ausentes e doer todas as culpas 

Não sei
Não tenho lugar para guardar tudo isso
É maior que minhas costas
Maior que minhas gavetas