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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Rudolph é drogado

Pow pow pow. É tiro.
Kabum, raios e trovões.
Ho-ho-ho, puta que paril.
Papai noel está bebasso.

Dias de confraternizações exigem nosso melhor.
Vou falar do meu diploma, do meu carro.
Das coisas que fiz sem querer ter feito.
Preciso parecer grande perto de todos os feitos.

Sua roupa está amassada. Não serve.
Tem um furo nessa calça. Esse sapato está sujo.
Penteie seu cabelo. Use aquele perfume que te dei.
Meia noite, vamos rezar.

Eu quero que tudo se foda.
A porra toda. O menino jesus.
Dia 25 de dezembro eu comemoro a vida do porco que me alimenta.
Comemoro o álcool que me faz suportar o espírito de empatia por pessoas que não dou a mínima.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Quatro degraus de escada

Pairo em dois mil e onze.
A velha escadaria do altar remoto.
Os velhos dias de descanso, as velhas buscas por ideias.
Os tragos do mesmo cigarro, minha velha utopia.
Dois anos se passaram.

As vontades mundanas se concretizaram.
Estou sóbrio de terra e por todos seus prazeres.
O câncer é o mesmo, o sonho é o mesmo.
As preces deste chão estão expostas
pelo exibicionismo de uma fé que é concreta.

A santa está trancada.
Intocável aos mortais.
Banhada a ouro e protegida à quem lhe serve.
Não há fogo, não há desejos.
Não há velas dos que creem.

Muito tempo se passou.
Muitas vidas me custou.
Permaneci na mesma pele para crer no que lutei.
Disperso em atos, preso em fatos.
Convencido do que sou.

A revolta perde vida quando adentramos à suas lacunas.
A verdade se modifica, se adequa à nossas vivências.
Não é medo. Não é mais fúria.
É o último ciclo de um lugar que estou cavando.
Não faço a mínima ideia de onde irei parar.

Sem receios.
O tempo existe para ser compreendido.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A experiência em seus tempos

No coito que emerge e borbulha em trapos de raiva.
Nas trilhas de orgasmos dos que mancham a pele.
Nas marcas de destreza.
Por quem nunca adentrou.

Longa essa corda que se trança em meus dedos.
A negritude em seu brilho, fino, do jeito que estou.
Palha esta corda em que vou, bem segura.
Clara, da cor que sou.

A estética dos modos que busco.
As pernas por formas que moldo.
Pura, em essência de espécie.
Vulgar, em todo corpo que toco.

Não disponha de primeira.
Não evite de terceira.
Aja no sentido de minha fala, na falha e na rouquidão.
Por tudo o que disser e pedir sua presença.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

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Capítulo 1 - Os Annales: A renovação teórico-metodológica e "utópica" da história pela reconstrução do tempo histórico.

O livro inicia questionando quais seriam as definições para um novo padrão de análise histórica, sobre as relações entre tempo histórico e conhecimento histórico. Neste primeiro capítulo o autor se põe a exibir as discernidades  nas quais as representações e hipóteses se apoiam, onde uma nova escola só pode ser considerada "nova" se apresentar uma outra e original representação do tempo histórico.

" Em que pode uma escola ser nova ou ultrapassada ? Costuma-se definir essa diferença como uma diferença de método: Novos objetos, novas fontes, novas técnicas, novos conceitos, novas instituições e obras e historiadores-modelo." Pág 9



Sobre os gregos, criadores da história José Carlos cita uma importante consideração acerca da intenção de escrita e análise, considerando-os como anti-históricos:

"Anti-histórico portanto, o pensamento grego mítico-poético e filosófico não trata do transitório, da sucessão, da mudança, do  mundo sublunar, reino da corruptibilidade temporal. O seu olhar e atenção estão voltados para o eterno. O mito libertava-se do evento e da mudança. Procurando manter-se na origem, no antes do tempo, buscando a eternidade no presente intenso do tempo sagrado do ritual, onde o atual reencontra a origem. A filosofia grega estava voltada para as ideias eternas, para os movimentos regulares, para o permanente, supralunar, único cognoscível, objeto de episteme." pág 11.



A escrita da história se dá pelo homem, que também se enquadra como objeto histórico. A história é um conhecimento escrito que pretende dizer a verdade sobre o mundo dos homens. O historiador deve ser  compromissado com a verdade, pois sua assinatura o tornará responsável pelo o que escreveu. José Carlos Reis cita Heródoto de Helicarnasso pela realização de mudança epistemológica substancial, onde a perspectiva do historiador deve considerar o homem um ser temporal, finito, instável e histórico. Tudo o que o homem produzir será "conhecimento da mudança", relatos de experiências de homens finitos em sua transição e experiência de finitude.

" Ao valorizar o passado, o historiador faz uma inversão em seu conceito. Para ele, o passado não é o que "não é mais" . ao contrário, ele é o que há de mais sólido na estrutura do tempo. O passado é existência conhecível; somente como "tendo sido" o vivido humano se dá ao conhecimento. O passado não seria uma queda ao nada, mas, ao contrário, uma passagem ao ser: Ele é a consolidação do ser no tempo, é duração realizada. Ele não é o que "não é mais". Mas o que "foi e ainda é". E como tal é conhecível e é a única dimensão conhecível do mundo humano, em suas relações com o presente. O objetivo do historiador é mediar um diálogo entre "vivos" e "vivos ainda". O que ele faz é conhecer, diferenciando-as, as durações humanas." Pág 12/13


O historiador tende a objetivar o mundo humano, organizar de certa maneira, ao ponto de distinguir, definir através de determinadas técnicas o modo como nos organizamos em vida. É através dessa "representação do tempo histórico", que a ordem dos processos, os próprios processos do homem em si ganham sentido e significado, onde primeiramente a percepção das experiências humanas aliada com a representação do tempo histórico organiza as percepções das experiências humanas.

"... pois a própria percepção só se daria no interior de uma  representação do tempo, sem a qual nenhuma "ordem" ou "forma" ou "intensidade" ou "ritmo" poderia ser percebida. A representação do tempo histórico é a condição subjetiva do historiador e da sua sociedade, sob a qual todas as experiências humanas podem se tornar inteligíveis. A história efetiva se realiza segundo certas representações da temporalidade. A percepção das experiências humanas não é jamais direta, imediata e muda, mas sempre articulada por uma "representação", por um ser simbólico." Pág 13/14



Sobre os Annales, José Carlos Reis diz que apesar das divergências de pensamentos e descontinuidade, a principal proposta foi a interdisciplinaridade, pois analisaram a história sob um ponto de vista influenciado pelas ciências sociais. A interdisciplinaridade, mesmo com toda a proposta de mudança, é referida como secundária no papel de importância, sendo a nova representação do tempo o carro chefe do movimento dos Annales, principalmente pelo fato dessa nova representação do tempo permitir a análise histórica sob influência da interdisciplinaridade.

" Eis a argumentação sobre o tempo histórico da linguística, da sociologia, da antropologia, da demorafia, da geografia humana, da economia, à qual os Annales das três gerações se mostraram sensíveis. E, para tornarem realizável a "troca de serviços" interdisciplinar, eles empreenderam a sua grande renovação, reconstruindo a representação do tempo histórico da disciplina histórica. Sob influência das ciências sociais, a história, antes, sob a influência metafísica da filosofia e da teologia, estudo exclusivo da sucessão dos eventos, da mudança da assimetria passado/futuro, com um final universal conhecido antecipadamente, será obrigada a incluir em sua representação do tempo a permanência, a simultaneidade." Pág 18.




Uma nova visão do homem passa a surgir, sustentada pela sua inovadora reconstrução do tempo histórico. A história tradicional era dominada  pelo tempo teleológico, enfatizando a história "acontecimental", frisada pela história política, ideias e biografias de grandes líderes. Biografias quais em sua maioria buscavam engrandecer o sujeito biografado na existência de seu tempo, sendo então, imparciais em sua escrita. Com os Annales, os registros passarão a ser relativos ao campo econômico-social-mental. Se referirão ao cotidiano dos que constantemente foram anônimos na história, à vida produtiva, às crenças coletivas. Os documentos usados como fontes para as análises passarão a ser listas de preços, de salários, séries de certidões de batismo, óbito, casamento, nascimento, fontes notoriais, contratos, testamentos, inventários.

" Os annales foram engenhosos para inventar, reinventar ou reciclar fontes históricas. Eles usavam escritos de todos os tipos; psicológicos, orais, estatísticos, plásticos, musicais, literários, poéticos, religiosos. Utilizaram de maneira ousada e inovadora a documentação e as técnicas das diversas ciências sociais: Da economia: arquivos bancários, empresas, balanços comerciais, documentos portuários, documentos fiscais, alfandegários; da demografia: registros paroquiais, civis, recenseamentos; da antropologia: os cultos, os monumentos, os hábitos de linguagem, os livros sagrados, a iconografia, os lugares sagrados, as relíquias, os gestos e as palavras miraculosas, a medicina popular, as narrativas orais, os processos da inquisição, os testamentos, o vocabulário, o folclore, os rituais; Do direito: os arquivos judiciários, processos criminais, arquivos eleitorais, correspondências oficiais, a legislação; da arqueologia, eles continuarão a utilizar as cerâmicas, tumbas, fósseis, paisagens, conjuntos arquiteturais, inscrições, moedas." Pág 23/24

"Portanto a grande renovação teórica propiciada pela reconstrução do tempo histórico pelos annales foi a história problema. Ela veio se opor ao caráter narrativo da história tradicional. Pág 25


Capítulo 2 - Debate fundador dos Annales -  História e ciências sociais.



Os Annales adotaram ao ponto de vista de sociólogos Durkheimianos, rompendo com a influência predominante da filosofia na escrita da história. A Nouvelle Histoire representou essa ruptura e o apoio teórico das novas ciências sociais. Segundo o autor, é  o homem que está dentro de suas realidades, produzindo a própria representação, além de suas necessidades e sentidos.

"... Essas três escolas possuem em comum a condição de inauguradoras do ponto de vista das ciências sociais: Não tratam tanto da consciência em si, isolada, mas das suas relações com as condições objetivas que, para uns, positivistas, a determinam, para outros, historicistas, a condicionam; para o marxismo, constituem-se reciprocamente." Pág 43



José Carlos Reis frisa em um ponto importantíssimo do livro a originalidade de Bloch e Febvre através da intuição da história positivista, pois iniciaram o resgate da história através da readequação a nova realidade mundial. Através dessas ideias se dá propriamente dita o nascimento da Nouvelle Histoire, que é a história sob a influência das ciências sociais. Para sua consolidação, são apresentadas três aspectos fundamentais aos quais a história deveria se direcionar para legitimar-se no âmbito de ciência social. São respectivamente: Abandonar o ídolo político, o ídolo individual e o ídolo cronológico.

" O objeto do historiador, deveria ser, agora, a vida das massas anônimas, seu processo impessoal de decisão e pressão históricas, suas formas coletivas de produzir a vida e consumi-la. " Pág 63


Capítulo 3 - O surgimento da escola dos Annales e o seu programa.


Neste capítulo o autor dá ênfase a Nouvelle histoire, no sentido da aproximação da história das ciências sociais, para que ela se renovasse, se atualizasse, se tornando também uma ciência social. Essa influência das ciências sociais fez com que a história rompesse com uma longa tradição e se renovasse completamente.

" A história conduzida por problemas e hipóteses, por construções teóricas elaboradas e explícitas, é, sem duvida, uma nova história. O historiador mudou de posição e de disposição. " Pág 75

" A história deixou de ser uma empresa intuitiva, fundamentada em a prioris indemonstráveis e passou a ser "comunicável", criando as condições de uma "intersubjetividade." Pág 75

José Carlos Reis apresenta o método retrospectivo, na dialética do presente com o passado, que consiste em procurar explicar o mais próximo pelo mais distante, com o passado legitimando o presente pois este o preparou.

"... Bloch propõe que o historiador vá do presente ao passado e do passado ao presente. O historiadores tradicionais dividiram o passado, objeto da história, do presente, objeto dos sociólogos, jornalistas, politólogos, que jamais abordam o passado. Bloch pelo ir e vir do historiador do presente ao passado, sustenta que o historiador não deve ser um pesquisador de origens. "


Capítulo 4 - As diversas fases da escola dos Annales: Continuidade ou descontinuidade ?

Conforme apresentado logo no início deste trabalho, José Carlos Reis vai tratar do tema da descontinuidade com um problema. Entendemos que Bloch e Febvre trouxeram de novidade, a compreensão de temporalidade histórica. Com o sucesso do projeto a revista esteve sob os holofotes do mundo acadêmico, porém não apresentou um crescimento imediato. No período da Segunda Guerra funcionou de maneira extremamente precária, mas de modo suficiente para dar continuidade. Mudou de nome e se adequou às realidades momentâneas de seus períodos de existência. Foi após a segunda guerra que a revista se legitimou e de certo modo "venceu a batalha" contra a história tradicional.

Acerca do que possa caracterizar a denominação de descontinuidade atribuída por José Carlos Reis, segue o importante trecho abaixo:

" A nouvelle histoire não quer elaborar visões globais, sínteses totais da história, mas ampliar o campo da história e multiplicar seus objetos. Radicalizando o projeto dos fundadores da ligação do presente ao passado, a história toma um próprio presente como seu objeto e quer produzir um conhecimento do imediato. Objetos que jamais foram considerados tematizáveis pelo historiador entram em seu campo de pesquisa. Novas alianças são feitas: Com a psicanálise, a linguística, a literatura, o cinema. A história se interessa sobre sua própria trajetória e amplia o espaço da "história da história". O historiador novo se interroga sobre sua profissão, antecessores, obras clássicas e transitórias, sobre as condições teóricas. técnicas, sociais e institucionais dentro das quais ele produz o conhecimento das sociedades passadas. A orientação principal, que domina todas as outras, é fazer a história que o presente exige."



Capítulo 5 - Sobre a identidade ideológica dos Annales: A polêmica e uma hipótese.

O trabalho produzido pelos integrantes do movimento dos Annales é de certa forma hegemônico pois se põe acima de tendências partidárias ou filosóficas. Os Annales buscaram a independência de qualquer crença, ideologia, igreja espiritual e política, fazendo uma história com orientação tecnocrata e autônoma.

" O projeto da modernidade é parcialmente conservado, portanto, mas seu lado utópico-revolucionário abandonado.
   A hipótese que apresentaríamos, então, para situar a Nouvelle Histoire, seria essa descrição da tendência neoconservadora, feita por Habermas. " Pág 156

“Além disso, a nouvelle histoire contará com a vantagem com a qual tinha contado também a história positivista, para manter tantos anos no poder: a estrutura centralizada da universidade francesa, que permitia a difusão por todas as faculdades das ideias da nouvelle histoire e o controle por ela dos lugares decisivos. Era uma ideia nova, adequada a um novo mundo.”  Pág 162

Capítulo 6 - Annales e Marxismos: Programas históricos complementares, antagônicos ou diferenciados ?

Nesta última parte de sua obra, José Carlos Reis debate problemas como o Marxismo vulgar, tido como derivação das teorias de Marx. Sobre os Annales, caracteriza o movimento como não homogêneo exatamente pela distinção e diferenciação de suas três gerações.

" A sobrevivência ou não de ambas as escolas depende do desdobramento que a história vai encontrar para o impasse "projeto moderno" versus "pós-modernidade". Pág 189

" Os "críticos críticos", e Habermas em particular, preferem manter a confiança e o otimismo em uma história sensata, defendem a linguagem e a vontade de sentido contra a ação sem linguagem e legitimação, que é a violência muda e a vontade de potência." Pág 190






domingo, 15 de dezembro de 2013

Diário de flâneur

Um dia novo com cheiro de interrogação
O estômago queima pelos goles de pinga da noite anterior
O céu não mente, é hora de ir embora
Sou cão de vagabundo, é pra rua que vou

Meu fardo de filho da puta já não pesa
Meus proveitos, minhas vontades
Meu estigma está intacto
Concepções exteriores não o interfere

Não entenda, não peça
Não tente, não faça
Preste atenção em meus olhos
Eles é que nunca irão mentir

Tive braços e pernas a postos sob a aceitação de quem tentou me reger,
Quando planos delimitavam as rédeas do meu espaço
O ardor latente vicia, por mais autodestrutivo que possa ser ou parecer
Pra puta que paril todas as antecipações

O fiapo da corda que me prendia arrebentou
Vou flanar em todas interrogações possíveis


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Peso pra papel.

E por muito tempo desejei a morte.
Instantânea, sem aviso.
Flertei com a sorte me enfiando no azar.
Completamente calmo, em prol da transição.

Mas hoje, na metamorfose das experimentações, me reconstruo de conceitos.
Quero ir embora consciente. Experiente em todas as décadas de mortes.
Doutor de todas as horas de espera. Ancião de todos os saberes.
Sagaz, num corpo limitado.

Por dias que terei. Por ares que provarei.
Carcumido, corcunda, quieto e impenetrável.
No silêncio da eternidade, na memória de meu tempo.
Pois já me tranco no meu quarto sem viver os meus fracassos.



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Duas décadas

Ladrilhos cantam ao som dos meus pés 
em desvios que se formam pela plenitude em existir.
Na idade do piche que cobre a terra 
o ancestral ascende na vontade de mudar.

Não vai mudar porra nenhuma.
Espere que a terra lhe cubra.
Espere que o tempo lhe dissolva.
A terra é morte, casa de desgosto.

Durma na rua.
Durma bem longe.
O mar de rosas afoga.
Estou disperso, estou inconsciente.