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sexta-feira, 24 de março de 2017

Última fresta aberta

Escarra tua alma e vem pro show
nú, da própria sorte em revelia
bailar o gosto amargo que escorre dos centros
e só, completamente só
turvo
ver a gira girar

Arrasta teu nariz na mesa
na sala
na própria casa
em confronto ao pudor
rompido
sem chances para remediar o que há de ser o depois
enquanto cobre-se de provações que rezam a fé da libertinagem

Santo demais
é pouco
causa e casa perdidas
deuses mutilados
braços nulos e cruzados à salvação
apatia, aceitação ao caos cumulativo

Dos dizeres aos saberes vozes cintilam
em consonância
pedem a ida
apelam o resguardo
cuidados e tratos que me façam sujeito direito

Provocações
ego, destino e sonhos
investidas que apelam ao âmago do sistema nervoso
e nos trazem a aceitação da miséria e força
suporte ao descaso na subida da escadaria

sábado, 11 de março de 2017

Titubeio

Mazela e miséria de fatores
barriga que dói logo cedo
noite que apruma a insônia
vento e fumaça que avoam a beleza
o sol incandesce o pixe da rua
e arde os pés que calçam chinelo de sola gasta

Dispensa vazia, o nada concreto
dias de sombra e de restos
imagens distantes
tudo em tela, ubíquo e avulso
mensagem de voz, janela fechada
vista sem faixada
vagas que faltam à mim

Diploma e miséria de fatores
governo, família, público e privado
a quem serve o que conheço ?
papéis e rabiscos de juras
a que serve minha ciência ?
conquistas e cernes que me vestem
à quem recorro, à quem socorro
por espaços e pedaços do que penso que é meu

Maldito é o pêndulo que leva a força pelo peso que se faz
e traz
                               vai
e volta
como demasias
(as ausências)
pela completa INconStâNcIa entre o que temos e queremos
sem sobras nem regalias
a falta que se faz _e_e_s_r_a para o devido valor de todas as coisas


domingo, 27 de novembro de 2016

Macaco Metrópole

Passos mecânicos
piloto automático
cabeça baixa
tudo tão cinza
retrô
monocromático
vintage por insuficiência  
bradado às pressas por gente que corre
rumo ao imediatismo etiquetado do futuro
sem sobras no relógio
ao som da orquestra das buzinas
e da banda dos discos de freios

fumaça demais é pouco
engole-se
goela abaixo
entre banners e outdoors de uma vida institucional
a instância
urgente das fases
que passam sem sorte
na maré de ventos ateus

da fé
e do querer
sobram restos de intenções
sonhos
que não atravessam a rua
amores
que se perdem pela avenida provando o gosto do piche
quimeras e desejos
anseios e ideais
caem esfacelados ante a vida moderna
e morrem entorpecidos
aos pés de paredes batidas

o antigo moribundo se faz da força das memórias
senão descritas
sobre o topo
por tocar os olhos em pompas vistosas
sob a derrocada
decadente
das paredes/telas que se pintam de corrosão

Mãos vivas vigorosas
se incriminam das falácias
ao renascerem do branco sujo
de esquecimentos
a chance que adorna e estampe os olhos
com cores e valores

E o primor invasivo que ocupa
transforma
dá sentido e faz o dia e os passos nas ruas
um movimento para se pensar e se sentir
abraçando os olhos com a quentura das matizes e as formas
de quem propõe uma fuga
deste sintético experimento
caótico
chamado cidade

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Inconstância

Subir e planar

Descer e flanar

Vazio propulsor

Barriga cheia não põe a mesa
não corre às beiras com os pés descalços
pede e pode o tudo em todo
sempre muito
muito e sempre
sorri solene os dentes brancos
brinda imenso aos copos cheios
no desperdício do sol que nasce e não arde a pele
em regimento estético
às lágrimas da demasia
do marasmo
do gosto do tempero pronto

Viva a fome que faz tremer
o corpo
a vida e a verdade
antagônica 
propulsora de vontades
das desgraças e dos reveses 
de quem clama a luz do dia
o querer e a sorte do novo
e vê na falta
a fartura das coisas boas da vida.






sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Filho (a)

Eu, 
tolo
pequeno
mergulhei
no mar de ondas 
que só vão
pra longe
pra baixo
onde é gelado
escuro

Beba da sorte 
da vida constante
não durma em reveses que lhe acometam
e nem tente ser poeta
respire sempre fundo e eu me farei presente
pela sua carne viva
passos
e palavras

Se esvai o caos
vem o silêncio 
pra cantar o nascer
da flor irresponsável que resiste em brotar 
na dureza de tempos difíceis

Lá no oeste
onde se põe a lua
o breu vai embora
pela luz do sol que nasce e vem do leste

Me ponho como um satélite
em meu tempo
sob a égide de meus giros
pela força de minha órbita
não tente entender
apenas me perdoe.

sábado, 17 de setembro de 2016

As letras que me faltam

Meus olhos poetas
deixaram correr
as palavras
em pernas de passos rápidos
e curvas inalcançáveis
com direito a vento
e rastro de cheiro
passando pela avenida dos outros
em sentido anti-horário
fingindo ser som
na boca dos que sabem quem são.

Se passarem aqui de novo
eu escrevo sem perdão.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Tem que acontecer

Aos 23
2016
século 21
relembro 64
reconto-me de 93
saio não cabendo
sem ter o que temer
em mim
o querer
que excede a inércia
em deixar
pra lá, pra Deus
as pedras
os meus sonhos


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Legado do cerrado

Um vórtice entorpecente
enlace ansioso em desalentos
escambo de sorrisos, lágrimas e medo
inquietude vasca
ombros calcados
desbravadores
de pobres
de seres corajosos
crentes e esperançosos

o insustentável peso das relações
peso de fatos e destratos
epílogos diários
um ontem confuso
que amanhece hoje intenso e me põe preocupado à parir saco pro amanhã

Mas eu não deveria querer saber demais
sobre o chão que não calça a palma dos meus pés
dos olhos que não podem encontrar-me
das vontades e saudades que não me incluem
teorias e teoremas
números e narrativas
modelos, módulos e métodos alheios
explicações e sentidos que traçam facetas
que nos cobram com a vida

Não cabe à mim me apressar
a buscar lucidez
resiliência e a essência
ter no outro meu centro
sanar encargos de consciência
crises
conflitos existenciais

Não pode haver o todo do nós sem não ter eu
eu tranquilo, leve e sóbrio
feliz por conta própria
agradecido ao olhar para dentro
contente com o mundo que engulo
que cabe em meu estômago

Preciso ir
ausentar-me do aglomerado
de paredes que separam corpos
e de ponteiros hostis
redatores da escrita do tempo
tempo que passa na pressa
sem ser sentido como deveria

E como uma flor
furei o asfalto, dei cor à estrada
deixei-me avoar no fluxo
dos ventos de agosto
fugindo de qualquer desgosto que eu possa ser
provando da vida
no seio do cerrado
longe de logotipos e do globalismo pós-moderno
compreendendo o homem que sou
com meu devido lugar, abaixo da natureza
na terra que se faz firme para eu poder pisar

Nessa fome de vida
quero comer da bondade
da pureza de braços
que se estendem para fazer valer a ajuda
e retribuo com meu deus para que fiquem com ele
enquanto firmo os passos que pontuam meu caminho
e se faz
as lembranças
as passagens
por cada metro de mundo que me ponho a encarar
dando à luz a mim mesmo
e a chance de me conhecer.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O exílio de nós

Não caibo num quadrado de paredes brancas
não caibo no conjunto de quadrados de paredes brancas
não caibo por onde resguardam as trancas e as grades
não me aprumo ao guardar-me sob o teto que me esconde

Me esguio furtivo pela Castro Alves
subo melidroso no sereno da Getúlio Guaritá
caminho em alerta por toda a Maestro José Maria
atento ao vento que balança as amendoeiras-da-praia
ponderando olhares incisivos que cruzam cintilantes ante aos meus passos desconfiados

A tristeza é o breu das sombras inabitadas
que tomam conta da Barão da Ponte Alta
e que fazem da esquina com a Conde Prados 
uma monocromia imperativa 
da geração que se deleita com estampidos que suscitam o silêncio a seu favor

É a amargura do vazio que me faz ater na memória a dor
é confronto da rebeldia versus ignorância
revelia de mulher que provou da covardia
a existência de gente sem empatia que tem por tarefa agir sem amor

Foi para longe a inconstância de passos leves e despretensiosos
dispersaram-se todos
para os quadrados de paredes brancas
para seus conjuntos de quadrados de paredes brancas

Trancafiados em medo, imersos em dúvidas 
exilados em si mesmos à vigília de retaliações
o silêncio fala alto, acomete todo o espaço
transmuta nas paredes o senso de quem tem muito a dizer

De quem tem sede de lotar a rua pra fazer carnaval no meio de semana
com a miserável graça de ser um jovem trôpego e irresponsável
que brinda a vida ébrio de fardos, embebido nos trâmites da vida adulta
taxado de réu pelos presunçosos de si mesmos que marginalizam as divergências
relegando ao estado a missão de ferir o âmago
dos que se põe a fugir da prisão dos quadrados de paredes brancas.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Enojado

A carga é um passo de embriaguez
do que rompe a inércia do improvável
e assola em fatos os corpos que se arriscam
pagar pra ver, ter em si
o gosto de tocar e provar  a loucura
de testar o doce e o amargo
de tudo o que se vem a desdobrar
de como a vida nos trás os dias
e de como nos consome o tempo
com as curvas de ruas inéditas em que nos metemos.

E eu,
na sobriedade da perdição
em estado deplorável de incertezas
de despedidas cotidianas e investidas ao vazio
aceno cabisbaixo ao passado, presente e futuro
em forma de gente, de mundo e de cores
porque guardo o íntimo de tudo o que já me tocou
e anseio inocente a recíproca da gratidão
por corações e sonhos aos quais me doei
mesmo falhando com graça ou sendo a desgraça
que põe a doer.