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domingo, 25 de junho de 2017

2027

Para o eu do futuro.

Um giro
360º
olhos bem abertos
pálpebras enrijecidas
transformação do tempo
fixação da memória.

Como fui bobo,
o ponteiro que fez seu giro em 60 segundos soou todo
sempre inofensivo
60 segundos.

Piscadelas, devaneios, leseiras, esperas, bobeiras, distrações e ócio
barra de rolagem d
                            e
                            s
                            c
                            e
                            n
                            d
                            o
hiperlink, propaganda, SENSACIONALISMO
60 minutos.

Pôr roupa, olhar horas
boca abre, boca come, boca fala, muito
mas reclama
mas há
tem de ter troca
o seu dispor pela sombra, sentado
em blocos institucionais
ou pelo sol que marca
pra fazer lembrar
que tudo te encaixa,te inscreve, te insere
pelas prumas e papéis de sujeitos
quem não cede não serve
24 horas.

Esperas de pacificidade alagam impulsões
códigos e decretos ajustam as silhuetas
traços e formas
de veste e pele
em linhas e sulcos de expressão
sob curvas que se fazem e se desfazem
transformando as frações em marcas vivas e andantes
todos os anos
enquanto for necessário
para que o ponteiro que faz seu giro em 60 segundos importe menos que o medo







quinta-feira, 22 de junho de 2017

Mulher mãe

Cede teu ventre à luz
à revolução da vida
do tempo
da nossa passagem
e traga o novo
para a espreita de quem há de se recolher ainda

Cede teu corpo como sombra
como casa e primavera
das flores que brotam do asfalto
na irresponsabilidade de quem quer vir à este mundo

Cede teu sangue e tua carne
deixe rasgar-te as 7 camadas
do elo que separa a gestação da vida em terra
irrigando ocitocina em teu colostro
no milagre que homem algum jamais terá o privilégio de viver

Dê tua fartura que jorra
de seus seios
para a vida
indefesa
parida de sua matéria

Reverências ao sagrado feminino
às preces que transcendem o torso
instintos
sentimentos inexplicáveis
do sexo e da multiplicação.

Minhas preces, Mãe.

O corvo

O corvo sobrevoa a cidade
rasga o céu fechado e escuro
faz medo em quem teme a própria morte
canta a sorte dos calores dos tumultos

A noite me traz ventos anarquistas
coragem e cegueira para andar
sorrir, me desferir contra o que é belo
com pedras, sonhos, noites e poemas.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O que ninguém pode me tirar

Para Paulo Vasconcelos,

Leve a carne que fala
Leve as relações da carne que fala
Almeje ameaças
disparate e quase disparos
pelas costas
com tijolos que constroem muros ignorantes

Se feche na pele que te faz escudo
nos mártires de achares que pode tudo
contra deuses
e
profetas
das falas opostas
civis, pobres e meros

Carne pra ser passada pela língua comprida,
falácias
pele que habita o zé
caixa craniana vazia
insuficiência
que faz querer ameaçar
o que não é possível de se compreender

Leve os materialismos todos
com corpo e sangue, vontade e utopia
mas me deixe apenas andar por aí
um segundo qualquer, sozinho
com minha camiseta vermelha e minha vontade de achar que este é o caminho.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Última fresta aberta

Escarra tua alma e vem pro show
nú, da própria sorte em revelia
bailar o gosto amargo que escorre dos centros
e só, completamente só
turvo
ver a gira girar

Arrasta teu nariz na mesa
na sala
na própria casa
em confronto ao pudor
rompido
sem chances para remediar o que há de ser o depois
enquanto cobre-se de provações que rezam a fé da libertinagem

Santo demais
é pouco
causa e casa perdidas
deuses mutilados
braços nulos e cruzados à salvação
apatia, aceitação ao caos cumulativo

Dos dizeres aos saberes vozes cintilam
em consonância
pedem a ida
apelam o resguardo
cuidados e tratos que me façam sujeito direito

Provocações
ego, destino e sonhos
investidas que apelam ao âmago do sistema nervoso
e nos trazem a aceitação da miséria e força
suporte ao descaso na subida da escadaria

sábado, 11 de março de 2017

Titubeio

Mazela e miséria de fatores
barriga que dói logo cedo
noite que apruma a insônia
vento e fumaça que avoam a beleza
o sol incandesce o pixe da rua
e arde os pés que calçam chinelo de sola gasta

Dispensa vazia, o nada concreto
dias de sombra e de restos
imagens distantes
tudo em tela, ubíquo e avulso
mensagem de voz, janela fechada
vista sem faixada
vagas que faltam à mim

Diploma e miséria de fatores
governo, família, público e privado
a quem serve o que conheço ?
papéis e rabiscos de juras
a que serve minha ciência ?
conquistas e cernes que me vestem
à quem recorro, à quem socorro
por espaços e pedaços do que penso que é meu

Maldito é o pêndulo que leva a força pelo peso que se faz
e traz
                               vai
e volta
como demasias
(as ausências)
pela completa INconStâNcIa entre o que temos e queremos
sem sobras nem regalias
a falta que se faz _e_e_s_r_a para o devido valor de todas as coisas


domingo, 27 de novembro de 2016

Macaco Metrópole

Passos mecânicos
piloto automático
cabeça baixa
tudo tão cinza
retrô
monocromático
vintage por insuficiência  
bradado às pressas por gente que corre
rumo ao imediatismo etiquetado do futuro
sem sobras no relógio
ao som da orquestra das buzinas
e da banda dos discos de freios

fumaça demais é pouco
engole-se
goela abaixo
entre banners e outdoors de uma vida institucional
a instância
urgente das fases
que passam sem sorte
na maré de ventos ateus

da fé
e do querer
sobram restos de intenções
sonhos
que não atravessam a rua
amores
que se perdem pela avenida provando o gosto do piche
quimeras e desejos
anseios e ideais
caem esfacelados ante a vida moderna
e morrem entorpecidos
aos pés de paredes batidas

o antigo moribundo se faz da força das memórias
senão descritas
sobre o topo
por tocar os olhos em pompas vistosas
sob a derrocada
decadente
das paredes/telas que se pintam de corrosão

Mãos vivas vigorosas
se incriminam das falácias
ao renascerem do branco sujo
de esquecimentos
a chance que adorna e estampe os olhos
com cores e valores

E o primor invasivo que ocupa
transforma
dá sentido e faz o dia e os passos nas ruas
um movimento para se pensar e se sentir
abraçando os olhos com a quentura das matizes e as formas
de quem propõe uma fuga
deste sintético experimento
caótico
chamado cidade

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Inconstância

Subir e planar

Descer e flanar

Vazio propulsor

Barriga cheia não põe a mesa
não corre às beiras com os pés descalços
pede e pode o tudo em todo
sempre muito
muito e sempre
sorri solene os dentes brancos
brinda imenso aos copos cheios
no desperdício do sol que nasce e não arde a pele
em regimento estético
às lágrimas da demasia
do marasmo
do gosto do tempero pronto

Viva a fome que faz tremer
o corpo
a vida e a verdade
antagônica 
propulsora de vontades
das desgraças e dos reveses 
de quem clama a luz do dia
o querer e a sorte do novo
e vê na falta
a fartura das coisas boas da vida.






sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Filho (a)

Eu, 
tolo
pequeno
mergulhei
no mar de ondas 
que só vão
pra longe
pra baixo
onde é gelado
escuro

Beba da sorte 
da vida constante
não durma em reveses que lhe acometam
e nem tente ser poeta
respire sempre fundo e eu me farei presente
pela sua carne viva
passos
e palavras

Se esvai o caos
vem o silêncio 
pra cantar o nascer
da flor irresponsável que resiste em brotar 
na dureza de tempos difíceis

Lá no oeste
onde se põe a lua
o breu vai embora
pela luz do sol que nasce e vem do leste

Me ponho como um satélite
em meu tempo
sob a égide de meus giros
pela força de minha órbita
não tente entender
apenas me perdoe.

sábado, 17 de setembro de 2016

As letras que me faltam

Meus olhos poetas
deixaram correr
as palavras
em pernas de passos rápidos
e curvas inalcançáveis
com direito a vento
e rastro de cheiro
passando pela avenida dos outros
em sentido anti-horário
fingindo ser som
na boca dos que sabem quem são.

Se passarem aqui de novo
eu escrevo sem perdão.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Tem que acontecer

Aos 23
2016
século 21
relembro 64
reconto-me de 93
saio não cabendo
sem ter o que temer
em mim
o querer
que excede a inércia
em deixar
pra lá, pra Deus
as pedras
os meus sonhos