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sábado, 21 de dezembro de 2013

Quatro degraus de escada

Pairo em dois mil e onze.
A velha escadaria do altar remoto.
Os velhos dias de descanso, as velhas buscas por ideias.
Os tragos do mesmo cigarro, minha velha utopia.
Dois anos se passaram.

As vontades mundanas se concretizaram.
Estou sóbrio de terra e por todos seus prazeres.
O câncer é o mesmo, o sonho é o mesmo.
As preces deste chão estão expostas
pelo exibicionismo de uma fé que é concreta.

A santa está trancada.
Intocável aos mortais.
Banhada a ouro e protegida à quem lhe serve.
Não há fogo, não há desejos.
Não há velas dos que creem.

Muito tempo se passou.
Muitas vidas me custou.
Permaneci na mesma pele para crer no que lutei.
Disperso em atos, preso em fatos.
Convencido do que sou.

A revolta perde vida quando adentramos à suas lacunas.
A verdade se modifica, se adequa à nossas vivências.
Não é medo. Não é mais fúria.
É o último ciclo de um lugar que estou cavando.
Não faço a mínima ideia de onde irei parar.

Sem receios.
O tempo existe para ser compreendido.

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