sexta-feira, 25 de abril de 2025

Sinais

Há um tempo suspenso nas reticências...  
Passos que se apagam na areia,  
rastros de um verbo que teima em não partir,  
enquanto a maré desenha o seu talvez.  

O ponto final é pedra no poço:  
cai, rompe a superfície do instante,  
faz da queda um capítulo encerrado  
ou eco que se esvai na boca do abismo.  

Entre um silêncio e outro, o intervalo,
vírgula que respira na folha em branco,  
porta entreaberta onde a luz hesita,  
súbito crepúsculo antes do novo verbo.

E assim seguimos.
Pois toda despedida é uma travessia. 
O fim, um modo obscuro de nascer.