Relógio sem ponteiros confunde,
a ausência de marcas faz perder referência –
mas o relógio sem ponteiros pode ensinar
que a pressa é um deserto que seca o sentido.
O mundo não é uma prova.
A vida não é uma corrida de obstáculos.
Há raízes que se alongam em segredo,
enquanto gente demais se condiciona à acelerar.
Está tudo rápido demais,
demasiadamente instantâneo,
enquanto se confunde movimento com destino.
O mapa é o próprio caminho.
O passo mais lento, aquele que pode
desenhar a rota mais íntima.
Amanhãs não são metas a conquistar,
são dores a regar.
Escolho a lentidão que me molda, mesmo efêmera.
Como a quietude do rio,
de águas constantes e silenciosas que seguem sua corrente,
fazendo as pedras aprenderem a dançar ao seu ritmo.
A cor da água não importa,
a força da água também não.
As águas que passam não são as mesmas,
mas sempre chegarão a um mar.