quinta-feira, 24 de abril de 2025

Sempre chegará ao mar


Relógio sem ponteiros confunde, 
a ausência de marcas faz perder referência –  
mas o relógio sem ponteiros pode ensinar  
que a pressa é um deserto que seca o sentido.  

O mundo não é uma prova.  
A vida não é uma corrida de obstáculos.  
Há raízes que se alongam em segredo,  
enquanto gente demais se condiciona à acelerar.  

Está tudo rápido demais,  
demasiadamente instantâneo,  
enquanto se confunde movimento com destino.  

O mapa é o próprio caminho.
O passo mais lento, aquele que pode  
desenhar a rota mais íntima.  

Amanhãs não são metas a conquistar,  
são dores a regar.  
Escolho a lentidão que me molda, mesmo efêmera.  
Como a quietude do rio,  
de águas constantes e silenciosas que seguem sua corrente,  
fazendo as pedras aprenderem a dançar ao seu ritmo.  

A cor da água não importa,  
a força da água também não.  
As águas que passam não são as mesmas,  
mas sempre chegarão a um mar.