domingo, 20 de abril de 2025

Dualidade


A bela planta que toma todo o vaso para si,  
esparrama-se pela superfície, 
brilhando ao dia  no reflexo de luz indireta.  
As raízes já firmes, que escapam pelas frestas do vaso,
em clara desobediência,
dão flores vistosas.

E as pétalas de um jardim noturno,  
que tocam o fruto que a sombra incendeia. 
Voando com o vento,  
caindo dentro de mim.  

O peito, maré de abismos opostos,
da agonia de buscar o equilíbrio e a ponderação.
Temperatura a ascender ou gelar.  
Encruzilhada de barulhos que ardem  nos silêncios ansiosos.  
Com os pés firmes no porto, nega-se  às tempestades.  

O tempo borda prata nas têmporas,  
enquanto espelhos refletem veredas cegas.  
No centro, apenas a dúvida persiste:  
Cicatriz aberta sob a lua impassível.