terça-feira, 25 de junho de 2024

Vento

Se eu não puder fazer curvas 
que me guardam o caminho do medo
de que vale a linha reta?

Certo, me perco em miragem
incerto, me aprumo às conversões 
perco derrapante no orvalho e na neblina da serra
mas não estaciono no acostamento

Eu fui e por mais que não visse o vento
ele existe
o invisível pode ser a incapacidade de ver talvez com as mãos

Não ter chances é o que contunde
pelas frestas de um gorro e um capuz
o rosto que se quebra ao gelar do vento