Estás livre agora
sem a culpa de não pertencer
sem licença para poder pisar o chão
chega de rua e miséria
de faltas e excessos
de juízos de valores
e estigmas marginais
Descansa as costas e tua alma
escalda os pés nos rios do além
foi filho da terra
beba o novo que a morte traz
te apruma das andanças dos caminhos tortos
às portas fechadas ou
às que nunca existiram
pois ao fim, cabe a certeza da igualdade humana
Exista nos escritos póstumos,
do direito à sua memória,
o que pouco presta ao seu partir
palavra esta que não faz luz às sombras
não ergue o que se pôs a deitar eternamente
muito menos refaz as escolhas
ou rearranja o pouco do tudo que deu para ser
À dor de sua perdura em ser como quis.
Descanse em paz.