domingo, 2 de junho de 2019

Monstro

Repúdio encarnado,
súdito ao instinto da revolta com todo o corpo e todas as forças.
Estrutura óssea, carne e vontade,
em violência,
violando a aceitação de outro corpo,
impossibilitado de conter, reger,
o arrepio máximo que aflige o senso moral,
do que é aceitável de ser passivo,
de ser a difícil escolha,
entre dormir o sono do remorso,
à passividade,
mascarada de benevolência e leveza
ou,
dormir o sono do pesar,
ter se deixado levar pela raiva e seus subprodutos,
à revolução,
batendo o machado de xangô
em meio ao calor do tumulto
de gente
com sangue quente
latino,
confuso entre senso de justiça e convicção,
vergonha e arrependimento.

Porque,
não há justiça
e tudo é muito incapaz de justificar-se.
Não há desculpas, reparos ou remendos
que reconstruam os afetos sem permeabilidade do tempo.
Fertilidade de vivências.
Tem que correr na direção contrária da sombra da verdade.
Arder sob o sol da transformação.
Ver em um espelho que a monstruosidade é uma roupa que veste à nós todos.
E viver os demônios e assumir a hipocrisia.