A memória é perigosa
pois
corta a carne magra do afeto em inanição
A crise do agora
rememora
o tempo do tato primitivo
que retorce com força
apropriações individualizadas,
todas as entranhas
dos resquícios
das lembranças
A leitura do mundo
dura
o tempo do tesão
suprassumo
da percepção
que
transforma a existência
em derivados de um entendimento pobre
e limitado
Somos donos
do presente que só se curva à morte
tementes ao amanhã
e não à Deus
somos
servos eternos
do passado que nos habita
na crença da espera,
pelo milagre
da utopia
algo a nos valer a vida
ao que há de ser o novo