sábado, 9 de março de 2019

Extensiva progressão existencial

De repente,
o entendimento do sentido do tempo se faz,
decorrente,
de esforços de sentir sua expansão e supressão,
categorizado,
por astros e corpos celestes da via lactea,
relativizado,
pela curta duração do corpo humano em vida,
subvalorizado,
por atividades inventivas que nos acometem em terra,
cerceado,
pela lógica dominante de um conjunto de pessoas.

A catalogação do curso do tempo
instiga à forja da exatidão enumerável,
do corpo mutável perante o espaço físico,
do corpo social perante o espaço imaginário,
a fim de organizar nosso senso de transformação,
fundamentando ritos de passagens,
moldando arquétipos, livres da utopia da imortalidade.

E mesmo que a matemática da idade
me permita aos poucos achar ter razão,
não posso me esquecer do lugar da unidade
nem do um que sou,
perante as mais de sete bilhões de outras verdades
que habitam um pequeno planeta no infinito do universo.

Da carne que sou,
demando me estender
não apenas à matéria perecível ao tempo,
mas também em pequenas letras, que ocupam pequenos espaços
à registrar os meios, sujeitos, feitios e tipos
de antemão, logo ou agora
não para consagrar escritos,
mas, integrar o sentimento em seu lugar de passagem,
do princípio ao apocalipse.

Portanto,
deixo claro que,
agora,
na exatidão matemática de: nove mil, quatrocentos e noventa dias,
os giros,
não mais me fazem rir com a leveza
do vento que bagunça os cabelos e o  equilíbrio,
nas descobertas de tonturas que por fim nos fazem cair de bunda no chão,
pois a sua repetitividade agora me embrulha o estômago em náuseas que me dilaceram,
e então, nestes círculos, vomito.

Reto demais,
me entedio por conseguir ver logo o que está à frente,
para que com a carga de um passado,
possa rotular o que se passa adiante,
pesando tudo sob as medidas de réguas,
velocímetros,
termômetros e medidores de volumes líquidos
para a previsão e prevenção
do que me doerá
ou me será útil,
para talvez
deixar nascer um sorriso de gente que ainda é humana.

Nas curvas,
embriago-me de espontaneidade e fluidez
ao me descobrir com o que vivo a cada esquina,
até me cansar, de ceder ou mandar,
e perder-me triste pensando em um sentido à percorrer.

O destino,
até aqui,
foi tempo que coube em todas as geometrias
apontando em várias direções
e se liquefez quando necessário
à caber,
adentrar,
invadir,
ocupar e transbordar as mínimas frestas,
dando a entender que viver é mesmo mudar o tempo todo,
porque as formas impenetráveis
se quebram em pedaços irreparáveis
quando os atritos dos encontros atingem os corpos inflexíveis.