Bebe, veste tua fala embargada
Tece a teia torta da trama no tropel
Teu trono na tempestade traça tatuagens
Toda tática é tremor, mas tua têmpora é tufão.
Fia o fio farsante, faz da fúria farpa
Foste flecha na fogueira, fenda no facão
Fere o frio da fé que te fala em falsete
Fulmina o fogo-fátuo, funda a tua fuga no chão.
Canta o canto cortante, cobre o céu de coragem
Cala a boca do caos com cal de carvão
Cria cristais na cratera, cavalga a culpa crua
Coração cravejado de cólera: teu crachá é a canção.
Sobe, sombra soberana, sarra a sanha na santidade
Salva o sal da sabedoria, sê o sulco na solidão
Sangra silêncios, serra sentidos, sacode o sono do salmo
Só o sol sabe: tua sede é irmã da solução