sábado, 15 de março de 2025

Não estou mais aqui

Sentei cansado na varanda 
a pensar
se vale uma memória o chão que a gente caminha 
dos passos pisados indo em direção aos altares dos desejos dos outros 
ou se o céu é a melhor estrada 
do corpo que vai e chega antes que a alma

Mas se sentarmos, falaremos dominantes das esmolas
dos pedaços das sobras doadas 
em forma de atenção 
nos instantes poucos em que os olhos cobrem o nosso reflexo perante a luz
para depois pensarmos naquilo que não pode estar aqui

Eu não estou aqui