segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Nuvem sem chuva

Nuvem sem chuva de um lugar que eu inventei
ali no céu da tua boca
do alto das minhas falências e ensurdecedoras dúvidas 
um passarinho cantando no fio
debaixo da luz que o poste dá
pensando no sol enquanto é noite
piando aceitação 
apodrecido por não ter cantado sobre aquilo que não vai passar 

Mas a nuvem sem chuva passou 
fez pouca sombra e nada mais
não deu chuva
foi-se embora no triste papel de dar formas à imaginação dos olhos de quem a vê