ali no céu da tua boca
do alto das minhas falências e ensurdecedoras dúvidas
um passarinho cantando no fio
debaixo da luz que o poste dá
pensando no sol enquanto é noite
piando aceitação
apodrecido por não ter cantado sobre aquilo que não vai passar
Mas a nuvem sem chuva passou
fez pouca sombra e nada mais
não deu chuva
foi-se embora no triste papel de dar formas à imaginação dos olhos de quem a vê