sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Olhos Narcisos

No divã
onde ninguém concorda
corroendo a paz em aceitar 
por desespero, tudo isso

Neste móvel,  
os conformados, substituíveis 
balançam suas cabeças
insignificantes

Quem fala, deixa voar aquele respingo de baba
que antes de se desperdiçar e tocar o chão
vê ratos sorrindo e pulando, bebê-las ainda no ar
saliva aduladora
medos contidos

De pé, ordenando
os olhos narcisos, consonantes com o desastre 
a boca artificial se modela ao punir
é proibido ser feliz 
é proibido perguntar 

Ao lado do divã, quem fala
não tem duas orelhas 
não tem apenas uma boca
e não deveria estar ali

nem tudo envelhece bem
ignorância também se acumula 
sonhos triturados são usados como salto
para poder ver de cima, com todo o mal cheiro de si
o vazio do ego apaixonado por si próprio