Corpo casa de sonhos mortos
posto às horas do relógio servil
grito amarrado na garganta e a boca e o estômago vazio
caminhar das olheiras pulsantes
calvário sobre os sapatos furados
seu reflexo esqualido no vidro de um edifício erguido do seu suor
cintilantes luzes inalcançáveis beijam amargamente com ódio
em aceno a dependência de uma raiva adestrada em classes
e ele tem todo porque revoltar,
se assim o fizesse, quem julgaria?
mas o pouco que ele tem no bolso
é o minimo que tem que ter
o mínimo pra ter o direito de ser
Negar-se a vida que existe fora da pele cansada
poder continuar a existir
e o corpo vai pra onde tem que ir,
sua voz só diz o que alguém deixar.
Escrito em parceria com meu irmão Borissi.
* Conheça os poemas de César Borissi em https://borissidealmeida.wordpress.com/