Por quem,
eleva tua crença ?
faz curva fechada em desavença
estes braços tão pesados
levantam
a quem, os blocos de concreto ?
Para que tudo se edifique
suba ao alto feito um prédio
e caia abaixo como ocupação
então,
militas a quem tua esperança ?
Verás mesmo que um filho teu não foge a luta ?
ou julgarás covarde
quem correu simplesmente por ter medo
por temer
Temer
A força que se faz acima sem botar o próprio sangue na mesa
que bebe da inocência de quem crê que sabe a trama
e se inflama
no discurso de palavras que driblam
as vielas, as favelas
a vida do preto e do pobre
Que cante o corvo, a ida eterna dos que se fazem das falácias,
dona morte
encarregue-se da urgência de buscar quem se esconde
ou pensa que consegue esconder
O ouro da coroa ainda fede
cheira à putrefação dos nossos antigos
e dos nossos filhos,
resta a cápsula
ou o projetil como projeto moderno,
da arma de fogo
engenharia da morte
As palavras que escrevo valem não somente para isso aqui
veste a carapuça de Cuzco, Sucre, Huanchaca e Potosí
das Antilhas ao Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília ou Uberaba
permeia vivo nessa terra a vida
a morte
o sonho
de Sandino, Zumbi, Simon Bolívar, Lampião e Marighella
jazes heróicos
sacrifícios
e vontades de se costurar, da Argentina ao México
as veias abertas dessa américa latina
Porque a história se repete
primeiro como farsa
depois como tragédia