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domingo, 13 de março de 2016

Massa de manobra

Pobre zé que se arrastou
a vida toda em prol do pão
ardeu no sol do meio dia pra botar carne na mesa
arou o mato na incerteza de nascer pro amanhã

Aceitou o que lhe deram de bom grado e coração
confiou na lei divina esperançoso em não ser zé
rezou terços, fez promessas
fez do filho a redenção
da mudança que não pôde ver, sentir e nem viver

A escola foi o mundo, o ideal a lei do cão
doutrinado a existir pela ciência de ser gente
exaurido em impertinência nas caçadas do dia-a-dia
da labuta dos que cedo levantam pra se doarem à perdura

Semeou a vida toda um sentimento de exclusão
Viu-se fora do sistema engolido em servidão
Nunca foi representado por alguém que o entendesse
Nunca pôde acalmar-se no lazer de gente branca

Sofrido e usurpado acreditou na televisão
viu na tela a vida bela de quem vive na novela
confiou no engravatado que o mandou bater panela
viu na espreita da direita um discurso no jornal
articulou-se em movimentos pra não ser mais enganado

E lá na rua no protesto, pobre zé não entendia
a madame classe A reclamar da mais-valia
o doutor falar de crise e exalar ostentação
a dancinha ensaiada pra expor indignação

Pobre zé acometido, padecido em intenções
em meio ao caos carnavalesco hasteou bandeira
não pôde apedrejar todas as esquinas que lhe disseram não
esteve envolto no medo pacifista
do golpista oportuno que fabrica a informação

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