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sexta-feira, 21 de março de 2014

Continua lindo

É mato, é montanha, é morro, é favela.
É malandro, é flamengo, é o jeito de ser.
Caboclo moreno de pele queimada.
Mulata robusta que instiga e excita.

Sotaque de peixe que te envolve nas artimanhas do cotidiano.
Uma arqueologia do jeitinho na intenção de ser honesto.
Tem que mexer o doce.
Tem que ficar de olho pra não deixar quaiar.

E assim vai. Assim vem.
São as vias dos que fazem acontecer.
São os meios inventados pra que se garanta um lugar ao sol.
Sempre de braços abertos.

É o Rio mané.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Existe amor em sp

A selva de pedra me xinga e me prende.
À direita ou à esquerda? Estou perdido.
É tudo muito rápido que quando você menos perceber
já estará etiquetado, à venda em uma prateleira.

Os muros são sólidos o suficiente pra te causar vertigem.
O bom dia que sai da boca dos transeuntes não é livre ou muito menos espontâneo.
É cuspido feito norma de convívio.
Olho por olho aqui é raridade.

Ponha seu terno, pegue sua valise.
Dê passos de um metro. Caminhe cem metros em quarenta segundos.
Perdure-se pelo esforço de destinar tempo aos tragos de seu cigarro.
O problema aqui é o tempo.

A pele se mela.
O sol se distorce reluzente em nuvens de fumaça.
É um pecado ver o verde das paisagens
ditado pelo cinza do concreto que o envolve.

O gênio que declarou aqui não existir amor, errou.
É que aqui, vinte e quatro horas são insuficientes pra dar formas ao que se sente.

domingo, 16 de março de 2014

Nau dos brod

Cinco jovens aprendizes dos dizeres do encanto.
Um cigarro de encantarias pra purificar o ambiente.
Alguma bebida que nos faça explanar.
Este é o encontro das almas.

- Eu me lembro muito bem. Nossa, eu era escroto.
- Pois é. É engraçado a forma como o tempo funciona.
- É a vida. A vida tem dessas coisas.
- Me passa o isqueiro, por favor.

Seria um infortúnio de minha parte
dar vazão aos clichês que descravariam o cenário.
Mas é quando o defasado bate à sua porta
implorando para ser lembrado.
Era uma lua muito bonita. Era um céu cheio de estrelas.

São pessoas que nos esbarram.
No ar da graça do vento que vem, do vento que vai.
Nesse eterno intercâmbio de vícios e virtudes.
Nessa louca e irresponsável passagem dos corpos.
Porque amigos vão, mas sempre voltam.

sábado, 1 de março de 2014

As veias do sistema

Duas miligramas de clonazepam ou eu atropelo alguém.
Sou o mordomo dos cardíacos que já perderam boa parte de suas saúdes.
Vou de um lado para o outro na dança dos pobres.
Bailando ao som da orquestra das buzinas.
No gourmet gratuito da fumaça dos escapamentos.

É o cheiro de piche que gruda em meu suor.
É o saco, cheio da porra toda.
Acelero o mais rápido possível.
Vou contra a chance de toda a minha raiva ainda não ser o suficiente.
Movo meu corpo contra o tempo. Contra o tempo dos que não o sente.

A cada esquina uma reviravolta.
Em cada reviravolta uma lamentação.
Evito qualquer escória pra que eu não seja julgado.
Deixo passar.
E vai passando.

Queria ver lá de cima o movimento dos humanos.
Poder cuspir na cabeça de quem eu quiser.
Jogar moedas pros mendigos. Cagar na cabeça dos pombos.
Lá de cima eu gostaria de dizer de boca cheia que estão todos errados.
E lá de cima eu bateria palmas para quem me escutasse.