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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O dia em que o chão se foi

Quando lhe tocar
corra feito cão.
Quando os pés cansarem
sofra pela pele.
Quando arder
sinta em sua carne.

Ao aceitar a força
saiba o peso que terá.
Desprenda-se a qualquer indagação.
Aja ao que lhe rasga em comoção.

Olhai aos iguais.
Foco aos sentidos.
Vá longe, para habitar-se ao senso.

Por qualquer igual,
esteja em si.
No gene que lhe trouxe.

É a história da profundidade.
Desbravando o abismo,
afogado na vontade em ter coragem.
A lição que se aplica ao ditado dos que lá estão.

Não venha ao buraco.
A descida não lhe permite sair.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Boca raçuda

Passe e exale.
Nossos trapos são luxo.
Todo o sujo, ao tudo parasita.
Escorra ao desprezo.

Mancha transitante em atraso.
O espetáculo é não ter nojo.
Não há medo.
Não há receios.
É a gota do oceano.
É o grão do mundo todo.

Que este lixo seja farto.
Que os restos lhe completem.
Vazio por instintos.
Não humano pela humanidade.

domingo, 11 de novembro de 2012

Confie onde piso

No intenso do som que me leva,
distante de qualquer local ausente de melodias.
Fico onde paira tal vontade.
Equivalente a minha.

Em um pecado formigante
escondeu-se muito longe a arte que me movia.
Ela volta, consta em nossa frente.
Ela se estabelece a cada novo segundo.
Segundos se desprendem do tempo de maneira consciente.
Eles querem carregar o dom.
Dignamente, a força do artista ecoa em nossos horizontes.

Estamos no Nirvana alheio.
O karma essencial para nossas virtudes
transam entre si de maneira coletiva.
Pelo bem, no próprio bem.

Ela grita a vontade subliminar.
Esconde falhas que lhe submete.
Evolui feito algo desumano.
Regride à mesma maneira anteriormente.
Vai voltar à evolução, é o ciclo.
Mas, regredirá ao status antes conhecido.

Isso é nosso espelho.
Somos o reflexo ilusório submetido à nossa utopia.
Acolhidos em cegueira.
Humanos, racionais.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Mofo

Cabeças de um mesmo lado. Uma grande frustração. Toda a ideia aparentada em uma base intencional, tudo isso desperdiçado.  Motivos que lhe fazem dizer sim é mentira mascarada de verdade. A sede em ter não lhe permite ser. A utópica sina em transparecer o que de fato você não é, mas que de uma maneira minimalista existe em uma essência reprimida. É a voz ditada pela pressão de ser mais um, a grande responsável por tal repressão. Livre não é estar acima pelos cantos em que você busca estar. É estar distante do topo almejado pelas cabeças rigorosamente indiferentes. Estar abaixo do que taxam ser de grande valor não é fracasso. Muito pelo contrário. Estar no patamar das mesmas cabeças regradas ao tradicional bem visto é que é o fracasso. É o fracasso em reproduzir. É o fracasso em fazer parte do geral. Permanecem consumidos por tudo o que consomem. A indiferença é tão imperceptível ao ponto de não sabermos o motivo de nosso vazio interior.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Cama suja

Role pra qualquer canto.
Você não dorme.
Você não age.
Você não acha.

O agir intencionado na criação de vínculos.
Miseravelmente tais esforços voltam de maneira contrária.
Não há fluxo nostálgico para reviver,
não há ombros para dar tapinhas.

Encontre-se perdido,
no achado de quem nunca esteve.
Perca-se encontrando o lugar de estar.

Toda contagem ansiosa.
Toda antecipação em imaginar-se lá.
Tudo desperdiçado.

E eu só queria poder abraçar o mundo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Backspace

Parou próximo,
distante de sanidade.
Desconhecido de tal dom.

Eleva o ego,
agora estranho, artificial e normal.
Não entendem a sombra.
Nunca entenderam a sombra.

Sou estranho,
da tribo dos comuns.
Da tribo dos normais.
Persistência ao fervor de pensamento menosprezado.

Toca piano.
Ele caiu.
Caiu dois.
Relógios morreram.
O tempo esfarelou.

Por aqui muitos passam.
Impressionam determinada platéia,
cantam do mesmo coro.
Cabeças ancoradas na passividade pronta e acomodada, aplaudem.
Artistas ideais formados no credo vazio e mal-trabalhado
 do estar apenas momentaneamente.

De acordo com o que se preza.
Convicto de veracidade.
Não era e sempre estarão errados.
E pelas mãos que passaram por seu rosto,
tudo acabará na saudade do ontem.

Chora coro.
Esqueça logo mais.
Da terra, pela terra.
Ao chão pertenço e lá estarei.

Dons ficarão,
igualmente aos ossos que hoje me sustentam.
Por pior que transpareça ser minha essência.

O muito será pouco.
O mais será preciso.
O sempre será breve.
O nunca será sólido.

Aos cérebros que alimentei,
estive digno ao quão me dediquei.
Insisti, persisti, acreditei.

Orgulhar-se do quadrado asfixiante.
O meio envolvente e traiçoeiro.
Passei batido.

A sombra do manejo esperado, talvez eu não tenha sido.
Cresci torto ao reto do desejo.
Curvado pelo peso de bom senso.
Aclamado pelo mísero mal intencionado.
Mas fui.

No intenso eterno permanecerei.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

É hora

Estende, inclina, suspende e segue adiante. Numa distância de poucos centímetros. Cautelosamente na soma de um esforço, ao todo estarei distante. Tracionados involuntariamente com o gesto amedrontado de uma falta de opção, mantenho-me estreito e calado assim que passo a incorporar o cenário do novo conturbado. Olha mãe, a senhora tinha razão, eu fui muito ingrato. Nunca desrespeitosamente,  fui carne acomodada. O pai que se esforça sangrando suor por obrigação. O herói maior de um exemplo que me faz calar. Minha miséria é pedra, minha vontade é vento a meu favor, a escuridão incerta é meu caminho. Ele sempre muito pai. Ele sempre muito firme.

De volta a miséria. De volta a fome. De volta ao futuro. E antes que qualquer raciocínio me faça abrir a boca, enxergo nessa lama o ouro.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Grato

Estranho. De tal sujeira que advém de um mal burguês. Olhe agora, veja o que visto. Moda pra quem não crê, moda pra quem nunca seguiu. Dite suas regras, descreva feitos engrandecidos para impressionar. Sempre cai o certo, sempre cai o fato. Olhos brilham, peito aperta, pulsa longe de qualquer discrição. Estou distante, por mais perto que esteja. E não importa do tamanho que seja medido, igual é, a desavença de minha ausência de fé. Cru, nu e verídico. Pra tal feito, nunca estarei são. A luz que nos engana arde a carne, pura desilusão.

sábado, 4 de agosto de 2012

Gargalo

Os olhos que lhe compram irão embora. Interprete minha fala ao modo verdadeiro pelo lado sóbrio da história. Seu pesadelo de exclusão é confuso, você passou a fazer parte dos que buscam o reconhecimento sem fazer algo relevante. Seu nome ecoa em cabeças pela noite, sua própria visão de si é algo lamentável. Me sinto responsável por ter lhe apresentado tal mundo. Mundo do qual sai. Mundo do qual você se afunda cada vez mais.
Entenda que, as flores que crescem em seu presente são regadas por água podre. Enquanto você viver pra ter, você terá  pra ser usado. Os sorrisos que lhe convém, fazem da sua mente um degrau. Pisarão em sua cabeça, e acima dela, outro igual a você virá. Outro igual a você irá deitar feito um degrau.
Mãos sujam são erguidas diante de sua visão. Os olhos enxergam a distorção alienada. A verdade é mascarada em obstáculos. Sorrisos que nunca estiveram em sua casa. Aplausos ensurdecedores lhe confundem com o que você mesmo pensa em crer.
De que adianta eu lhe puxar se você é o primeiro a se jogar de volta ?
Cabeça fraca. Acorde.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Rumo

Agi contra suspeitas de minha própria falação. Preso aos pais, sufocado na ideia de partir. Devo uma explicação, um motivo aceitável aos que pagam pelo lar que usufruo. Qualquer justificativa não é justa a vontade de simplesmente ir.
Em cantos distintos do mundo, denominam nacionalidades. Nos selecionam em um padrão determinado, caracterizado por fala, costumes e aparência física. Aleatoriamente, encaixado em um grupo, você é jugado da maneira coerente sob forças administradoras de um todo. Nunca me senti a vontade em dizer que pertenço a tal nação, pelo fato de que até a realidade de nação é usada para pensamentos formados.
 Pertenço ao mundo. Pertenço aos cantos que desconheço. Pertenço ao mar que nunca nadei. Pertenço ao nada de um deserto. Pertenço ao gelo do extremo sul. Pertenço a todos os possíveis cantos. Pertenço inclusive a nações das quais dizem que não pertenço.
Saia do mesmo sempre.

"Ao infinito e além"

terça-feira, 24 de julho de 2012

Jhor

Instante submisso. Coragem em me dizer o que é. Olhe e ria. Soa engraçado o quanto lhe parece estranho. Ria do que não é seu, aproveite. Esconda com toda a coragem que lhe falta. A marca "trauma". Um estalo, nossa percepção. Um movimento, nossa repulsa.
Os olhos captam de uma maneira pessoal. O cérebro entenderá a não normalidade. Nossa sina social fará a boca espulgar algo a favor do conjunto. O consenso de que aquilo não parece bonito. A rodinha dos que falam, haverá sempre. Formadas em merda sonora, escritas no pior do que não era intencional. Enxergue além. Não é tão simples. Trema assumidamente. Seja brusco, quebrando idéias. Paire em si e sinta. O simples espasmo é expressão do corpo, igual ao movimento de sua respiração. Engraçado não é rir. Engraçado é a ironia de nossa ignorância. Aquilo, estranho como é, grita algo. Nós é que não entendemos.

domingo, 22 de julho de 2012

Impaciência


Silêncio ao que tenta me calar. Queimo em agonia a qualquer milimetro do que tenta me sobrepor. Não é ganância ou qualquer semelhança com a ausência de humildade. Sei reconhecer o que é certo e melhor. Mantenho o incrível tato a todo canto que conheço. Confesso que erro, pelo novo que passa a exercer o que não conhece. Quando firmo uma resposta, não me peça pra parar, não me peça para ir.
Trememos inconscientemente. Beiramos o ápice desconhecido. Furiosamente explode o sangue ardente de nossas cabeças. Ah, sim, descontrolamos nossas forças.
" Vá pra sua caverna. Congele, livre-se de tudo. Escorregue, relaxe". Palavras domadoras atingem os sentidos. É a luta de uma força maior contra os modos defendidos. E antes de qualquer fato em ato, somente não me chame. Somente me esqueça.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Peito Bordado

Sou herdeiro da junção. Cai enfraquecido. De joelhos sobre a terra bastarda. Endureça. Escorre lágrima, diga adeus. Não tenha vergonha. É nosso fim. Início ao nada, fato de um tudo. Estoure tímpanos resistentes a tal decisão.Estamos gritando a história medíocre de nossos fatos. Pés rachados, mãos calejadas, punhos enfraquecidos. Carregam nossos nomes, confundindo com qualquer noção real. Eu grito novamente. Ouçam meus relatos, vejam minhas inspirações. Jónsi sabe o que digo, ele faz parte. É o novo que resiste. Cairão em desgraça sob qualquer feição determinada por conceito. Ergueremos pontes com outras dimensões. Pintaremos de ouro qualquer dose de tristeza escurecida por medo. Pisaremos em corpos mutilados resistentes pela utopia. Em meu peito, bordo agora o escudo pós vida.

Droslok

Olá. estou no infinito. Você vê cores que exerço. Respira do que mando. Covardes comuns. Encolhem diante de qualquer parâmetro. Eu disse sim. Lhe disse sempre. Escorre aquilo que peço. Vocês buscarão em meu nome, pobremente iludidos pela lógica do que dizem ser racional. Sou sua aparição. A voz que manda em seus sentidos. Caminhe sobre meu manto, vista o preto do que mato. Esfaqueie vozes iguais. Devo ser único em seu cérebro. A doença em uma cabeça estranha. Os mal vistos por um bando de iguais. Não se preocupe, sou a arte esquizofrênica. Você é um de nós, não estou aqui atoa. Estou diante de suas pupilas amedrontadas pois sou carne. Grave em sua pele, "queimaremos por igual".

Saronj

Encolhe minhas costas depressivamente. Queima memórias do agora pensante. Não pensei em dizer talvez, agi irracionalmente no presente constante. Caímos, nos quebramos em várias partes. Nostalgia de uma volta intolerante, impaciente que nunca diz sim. Ela nos nega qualquer chance. Preciso retomar, preciso me erguer. Meu show é gratuito, assistam os espertos. Cavalgue meu vermelho, vá longe, bem fundo. Volte no mais fundo que puder. É a falta, abstinência de um motivo. Dói não ter. Dói não viver no agora. Presencio o abate memorável. Era em tal dia, vocês me viram. Eu sorria, verdadeiramente. Uma pena. Repito, dói no agora, pois sinto a ausência de uma forma nostálgica.

Likosh

Treme meu sangue. Ferido ardente, tenho vergonha de expor. Sobe irônico, engana nossa face. Os olhos corroem cores ao tentar dispor dos sentidos. Caminho de um jeito estranho. Envergo a cada curva falsa, caio a cada buraco inexistente. Meu pai grita em meus ouvidos. Estou diante de minhas últimas chances, estou pisando em qualquer valor que tentaram me ensinar. "Pai, cuida de mim". Exatamente, disse isso a ele enquanto sangrava. Hoje, cicatrizado. Ciente de minhas mãos, ajo de uma forma jamais esperada. Este canto novamente é a causa da minha insônia. O cigarro que fumo é mal visto por mal cheiro, por câncer, por fraqueza em acharem que viverão para sempre. Se não quiserem ficar em minha casa, que saiam agora. Não estou aqui para servir frescuras. Morrerei distante, partido no que chamam de desgraça, bêbado de realismo pessimista. Fui verdade. Fui certeza. Ficarão minhas palavras. Confie nelas.

domingo, 15 de julho de 2012

Cafalopoba

O relógio que me aponte a distorção. O caminho que cresça em meus olhos. Buscamos outro lado, algo dispersante aos nossos costumes. Estou em outra casa, avise em meu lar. Queria vê-lo presente a minha mão. Faz frio, o vento quebra minha cara. Machadadas de força nos deitam em hipotermia. Não diga o que quero ouvir, não faça o que eu quero que faça, não fique ao meu lado.  Me acomodo diante de sua presença. Sozinho  enlouqueço por mim mesmo, em minha própria cabeça e somente. Vou, criarei, partirei, sentirei. Ah, e não se esqueça de nunca prender-se ao que não seja você mesmo. Favoreça o inexplicável.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Indireito

Disseram que não. É proibido, você não pode fazer. Cospem medo pela ausência de auto controle. Pessoalmente cada um deveria saber do seu. O limite, máximo e ápice. Agem por qual voz ? Não experimentaram a ausência parcial. Não obtiveram sequelas paranoicas. Não estiveram em uma singularidade absoluta. O que você faria por você mesmo, enquanto nada mais o impede de que você seja você mesmo ? Você por você. O corpo dói nas marcas da ausência. O desespero que apela a uma última vez. A última vez que sucede a uma próxima última vez. Não tem fim. Abstinência da pureza inalada enquanto fomos o branco. Quero ser. Me deixe ser. Quero fazer, quero de novo e de novo. Alheio ao que sinto, digo que todos vocês, inexperientes à picada doce que cobre o cérebro, jamais poderão ser ou querer ser o concreto de um ato que nos impeça. Em nossas mentes, em nossos corpos. Por nossas almas, por nossas escolhas.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Vaca Hindu

Babo minha raiva, de uma forma vergonhosa. Respinga, e é claro, a gravidade promove o contato com o chão. Um belíssimo piso, limpo, de dar inveja. Brilha mais que puta no carnaval. E é tão comum perceber que você se orgulha em ter pago por cada centímetro. Só não tente nos privar dos movimentos que nos permite ir e vir. Este belo chão, que você trocou por pobres pedaços de papel, é comum aos nossos olhos. Eu não posso ser o chão, portanto não me interessa admirá-lo como propriedade. E eu que aos seus olhos não possuo nada, piso em seu chão com os mesmos pés que já pisaram na merda. Fique com o abstrato de seu chão, que eu fico com meus passos.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ele

Errei o lado.
Bati na porta errada.
Comi da terra estranha.
Quebrei o espelho ao lado.

Existe feito robô.
Faz por obrigação.
Não há revolta.
Não há problemas.
'Sim, ok, está tudo bem.'

Ele odeia dizer sim.
Ele odeia as cordas que o faz de marionete.
Ele odeia por não ser o que poderia.

É cedo e eu empurro a verdade.
É distante e eu não entendo.
Não sou eu mas tomo as dores.
Me desculpe.

Seu porque secreto,
seu motivo.
Desconhecia.
Insensível sou, por não viver em sua pele.
Você merece meu respeito.

domingo, 3 de junho de 2012

Suid

Baratas tão imundas.
Munidas de rejeição.
A casa não aceita,
mas era só coragem.

Caminham em meus restos.
A verdade que fui.
O fato que me tornei.
Não posso não querer.
Não existo.

O furo que me fez.
O furo que abri.
Voei de encontro ao que era.
Atinge e lamento.
Tarde demais.

Quero mas não posso.
Não posso por não querer o bastante.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Kon

Cresceu no cérebro.
Doeu no peito por dias de infelicidade.
De igual ao nada,
absorvi o pouco ouro pelo abundante podre que havia.

A pele queima.
Risadas provocam sua inferioridade
até o momento em que você percebe que é igual.
Corri por muito ao abstrato.
Errei por muito ao verdadeiro.
Do irrelevante me desvenciliei,
pairo agora na facada do possível.

Dei forma ao sonho.
Dei tempo por crer.
Fiz do talvez a possibilidade.
Lutei e luto.

Real, sempre abaixo do esperado.
A sensação de não ter feito o perfeito,
a calma por ter sido por inteiro.
Me dediquei, de igual por igual.

Nossas utopias foram sangue.
Correram por um pulso em uma única finalidade.
O problema foi novamente o tempo.
Tempo.
Sempre tempo.

Talvez uma esperança.
Ao menos a cara doeu,
pois o tapa que precisávamos foi dado.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Icita

Pulsa frenético agindo descontroladamente.
Eu ainda quero, por mais perdido que esteja.

 A pouco percebi
que em ouvidos bem dispostos minha falas caíam.
Bem encaminhada era minha voz.
Eu tinha público e não parava no fato de somente o ter.
Eu o usava a meu favor.

Foi fácil exercer ações com um porque intencionado.
Fiz o não ser sim.
Fiz o nada ser verdade.
Fiz pernas se abrirem com um discurso manjado.
Assim como vinham, iam fácil.

 Provei de tudo que pude forçar.
Insisti até uma última gota de sorte.
O abismo era o oposto do real.
Distante estive pra cair por tentação.

De volta, novamente ao velho.
De uma queda considerável,
talvez merecida a cada centímetro que manipulei.

Continua pulsando, descontroladamente.
É eterno.
Mas agora verdadeiro.

domingo, 25 de março de 2012

Ela fútil

Manequim forçado.
Caráter forjado.
Aos cegos de instante
o único visado.

Passos de galope.
Passos ciscados.
Algo reluzente em atração.
Algo caro por satisfação.
Prazer em ter o tudo,
Ironia por tal tudo não ser nada.

Não atrai.
Não fascina.
Tão normal e tão ruim.
No rosa ou no caro,
é medíocre e clichê.
E pelo preço que for
é valor por um papel.

Fora de casa,
nos passos gêmeos da rotina acéfala.
Por quanto custou, no quanto nada tal rotina sempre é.

Gira e permanece.
Permanece e gira novamente.
O bando é crescente,
fantasiado de bonito.
Cai a marca.
Troca a moda.
Fica a bosta.
Não importa.

Convicção enganada tem a massa alienada.
O nome estampa.
Engana sobre o ser original.
No fim das contas simplesmente foi um nome,
abstrato e criado com propósito.
Propósito de fazer trouxa.
Escravas de pano.
Induzidas, burras e tão comuns.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Tudo

Quem disse que as formigas não são racionais ?

Nós roubamos todo o espaço privilegiado existente. Nos apropriamos de cada grão, gota e molécula. Nos denominamos racionais responsáveis por um todo. Compramos e vendemos água. Compramos e vendemos árvores. Compramos e vendemos inclusive outros seres.
"Ah não, o ser humano pensa."
Nos sobrepomos exatamente a tudo, de uma maneira egoísta. Roubamos o espaço, roubamos o tempo, roubamos o direito de ser.
Pequenas proporções de nosso bando usam do meio que nos diferencia para 'igualar' o lado ímpar que impusemos. Pequenas proporções. Insuficiente.
O irônico de tudo é que enquanto os dominados exercem instintos de sobrevivência, praticando um ciclo natural, sem nenhum outro interesse explícito a não ser o de sobreviver, nós, dominadores egoístas, possessivos e reclamões, tornamos o instinto da sobrevivência algo totalmente secundário, menos importante que a ambição por um pedaço de papel.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Copo d'água

"Caros amigos. Me desculpem, mas vocês não são o que estamos procurando."

Tudo bem. A culpa foi minha por ter fantasiado o improvável. É um alvo que miramos, e olha que esse foi somente o primeiro tiro. Entendo leitores entediados, mas escrevo tudo isso como forma de desabafo, então só queria explicar: Existe o medo e a covardia, e existe o seu sonho.
O medo e a covardia lhe permite ao menosprezo, ficando sempre abaixo e travado. Esse medo é complexo. Você quer ser, mas está impedido. Impedido por uma tarja psicológica e retardada, criada a partir de absolutamente nada. A covardia é o conformismo com a situação. Você sabe de sua explosão, sabe até como atingir, mas não acende. É fajuto diante do espelho. Não é, por preocupar-se tanto em ser, como ser, que não torna a ser nada.
O sonho funciona como uma regra. Você a segue, você a quebra. É totalmente pessoal. Nós nunca estamos dispostos a ouvir e tratar do sonho alheio. Talvez seja pelo grande número de adeptos sem culpa.
Pense o contrário, mas, quem não segue em busca de um sonho, caminha em direção ao vazio. Não faz sentido.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Carnaval

O último pedaço lhe segura pelas costas. Lembrei quando era oxigênio com as coisas normais demais. O ambiente que eu desprezei era o auge de muita gente. Porque se animam com isso ? As pernas doem pelo o que os olhos necessitam ver. No meio de tudo, ele chega e beija ela. Tudo bem, é sua vez. Mas o bastante pra decidir brincar com o cérebro.
Ausente, presente, ausente, presente. Caralho, volta, volta , volta logo porra. Ufa, voltei. Isso é muito bom, vou fazer de novo. Ausente, presente, ausente, presente...

O controle nunca existe, ele foge a todas proporções, em qualquer dosagem. As vezes que prometi não fazer ficam sempre pra depois. Eu posso culpar as chatices momentâneas e minha impaciência em lhe dar com elas por tornar a fazer. Até a ideia de sufocar o cérebro é contraditória. Quando conseguimos nos desprender de nosso corpo, o desespero em querer voltar a realidade toma conta da alucinação. Quando voltamos a enxergar objetos não distorcidos, nos desesperamos pra nos desprendermos do nosso corpo novamente.

Só pra explicar, existe a sensação de água fervente passando pelos nervos.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Merda nossa

A criação repulsiva. Privar, nunca deixar, ensinar que é proibido. Não por rebeldia. Curiosidade acima de tudo.

Do jeito que você nunca quis, eu fiz. Do jeito que você nunca esperou, eu fiz. Pelo motivo que você nunca pensou, eu fiz. Fiz e gostei. A merda que vocês tentaram esconder esse tempo todo foi descoberta, e é compartilhada por outros descobridores. Apologia ao existente.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Rés

Esperei pelo meu tempo. Anos de espera por segundos inesquecíveis. Engraçado. Doei da sola ao verde constante, é um sentimento inspirador. Eu sempre me questionei sobre a veracidade. Olho pra rostos enrugados, cansados de tudo, pelo tudo sempre acabar em nada. Eu vou reclamar de que ? Faço mágica com a realidade que distorço. Caralho, eu distorço pro bom senso, aproveito de uma maneira que me dá gosto. Não termine de ler o texto. Saia daqui.
Vamos todos ao mesmo lugar meu caro. Sempre. Vamos nos deitar ao lado de pessoas que pisamos. Mas pra não perder o foco, os rostos enrugados nunca irão comemorar os segundos inesquecíveis de uma vida. Ou então fazem disso um fato pequeno. Ou o fato pequeno é merecido, mas nesse caso, meu fato é menor.
Quanto mais fundo, menor. Quanto menor, menos lembrado. Quanto menos lembrado, menos vivido. Quanto menos vivido, mais inesquecível. Só quem esteve lá. Sempre assim.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Ciogo

Egocentrismo.
Egoísmo.
Ego.
Eu mesmo.
Eu próprio.
Meu eu.
Meu eu próprio.
Orgulho de mim mesmo.
Talvez.

É como achar o núcleo luminoso do acrílico que reluz. É como achar o cigarro que lhe infartou. É como achar algo desnecessário, fruto de uma busca inválida, pressionada por pessoas ausentes de presente e passado. Porra, buscar por tudo em tudo, pra achar o tudo que na verdade nunca foi nada, e nem será. O círculo torturante cravado de pé, junto ao chão. Você sobe, faz a curva e desce. Sobe, faz a curva e desce. Sobe, faz a curva e desce. Quebre o caminho. Bata a cabeça ao cair, mas quebre o caminho.
A inveja que eu já senti é vergonhosa e totalmente comum. Um fato pra eu me sentir aliviado, mas permanecer com vergonha. Ok, permita-se ao alívio quando finalmente desprender-se. Ai sim.

Aparências mudam, peitos falsos excitantes permanecem falsos, maquiagem sai, perna sarada é somente uma perna sarada, o bronze é cor de câncer nada saudável, o tempo que você ignora continua passando quer você queira ou não, braços sarados sinalizam estupidez, e o principal dos fatos: O dinheiro que você tanto usa pra diferenciar-se, é fabricado cada vez mais a cada dia que passa, mais e mais. Dinheiro é tão comum. Coisas normais são tão comuns, pessoas comuns são tão normais.

Não consigo concluir.