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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Meu clichê

Era madrugada. Quase 4 horas, e não havia sono.
Senti fome. Preparei um sanduíche com as sobras do café. Não estava de acordo, mas pouco me importei.
De volta ao meu quarto, a potente e comovente voz de Layne Staley, era "Bleed the Freak". A vontade de meu vício novamente me venceu. Perdi minhas mãos. Abri minha mochila, e em sua parte mais secreta, retirei meu Dunhill. Haviam 3. Junto ao maço, retirei meu isqueiro, e com um movimento de meu polegar, acendi minha fraqueza.
Sentei-me do lado de fora de minha casa, no jardim, ao lado de um pé de arruda. Olhei ao céu, fixando minha mente, e lamentei o pouco tempo que iria descançar.

Detesto meu emprego. Detesto pessoas folgadas. Detesto esse meu esforço. Faço isso por dinheiro. Hoje é esse o preço da minha cruz. Suporto reclamações que a mim são injustas, suporto o cheiro deteriorante de bicabornato de sódio. Suporto pesos valorizados de cilindros, talvez até mais do que eu. Suporto acomodados que se beneficiam de meu esforço. Tudo pra que eu compre merdas inúteis.
Trabalhamos em empregos que odiamos, pra sustentarmos nosso consumismo. Um par de tênis, ou um chapéu, pelo preço que custar não conheceu o meu suor.
E de saber que essa é a chance, indignadamente devo baixar minha cabeça.
Lamento não poder mais escrever.
Meu emprego me chama, extintores me esperam.

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