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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Tagin

Alagou. Não cabe mais nada. É assim que funciona. Antes de pisar, o vômito anseia. Complicado compreender, por fácil parecer. Os mesmos clichês superados insistem em seguir conosco, mas o orgulho quer que sejamos mais, devemos transparecer maturidade, estão nos observando, finja ser forte, finja ao máximo. Se existe drama, as pessoas perdem o tesão. Se existe alegria, as pessoas perdem a vontade. A depressão cativante, saiba dosar.
Funciona como um imã, atrai e repele. E atrai muito. De repente, sem culpa nenhuma, repele. Não dá pra entender. A fome saciada, ininterrupta por respeito e medo alheio. Eu não mando nele, me desculpe, mas alagou.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Anjo caído

Uhul! Corre, tropeça, cai, cospe, que se foda, olhar pro lado, clamar atenção, esperar, ficar embriagado, drogar-se. Tchadã, de repente... Ops, você está encrencado rapaz. Muito encrencado. Confusão perigosa, apego espontâneo. De onde você saiu ? De onde tirou essa faca que consegue ameaçar ? É horrível admitir tal domínio. Era incrível minha sorte em conseguir coisas, fatos e momentos. Geralmente eu exercia de maneira inteligente atos que me conduzissem a prazeres planejados, mas hoje tudo reverteu-se. Me preocupo sobre você estar usando toda essa situação de maneira estratégica, pra no final, é claro, o final acontecer de uma forma comum.
Ninguém se importa. Particularmente, eu não quero saber o que todos vocês sentem, mas admito que passando a fazer parte do time, comecei a entender o desespero antecipado. É pessoal, complicado, confuso pelo fato de tudo parecer um filme. Bom demais pra ser verdade. Hoje, pelo menos ainda tenho a possibilidade de escrever que o melhor está pairando. Estou conseguindo inalar o ápice, você me trouxe o sabor que faltava. Por favor, congele-se no meu mundo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

We die young

Ferro forjado, a falsidade enferrujou. Uma mancha permanente que transmita um suspense equivalente. É incrível como somos cegos. Essa compulsão insistente de nos taxar blindados aos fatos, é uma espécie de arrogância totalmente inútil. Acontece, vai acontecer. Segura o cu porque todo mundo roda. Ruim mesmo é quando caímos aleatoriamente, vítimas do ocorrido.
Ah, é claro. Não sei de onde tiro sorte. Essa brincadeira de arriscar ainda vai me custar caro, se bem que essa é a graça da vida. Morrer seria importante, e eu não me preocupo com circunstâncias importantes ou heroicas. O desfecho físico faz parte do mental, aceitem. Essa é nossa única certeza. Mas admito, sentir tal sensação é desesperador. Nós precisamos, mas não queremos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Ar

Você vai ler isso, eu sei. Eu precisaria do seu aval de certificação qualificativa por serviços amorosos. Eu costumo ser assim, entrar de cabeça, e por qualquer insatisfação me sentir mal. É que isso tudo dói como o fogo do inferno. Doar-se através do seu melhor, pra no fim ser a mesma merda clichê. É incrível como eu me ergo pra centímetros de esperança. O ego que me definia morreu, até meus amigos criaram meios prazerosos. Eu me abdiquei do mal e ninguém acredita. É fácil julgar por um erro, foda mesmo é seguir se contorcendo com o erro em sua frente por uma palavra que você mesmo cuspiu em sua cabeça.
Eu falo por mim, e por todos que não possuem coragem em romper a barreira do real, e partir pro lado espiritual da crença. Sentir na pele enche o saco. Perder tudo é perigoso, são dois caminhos a partir disso: Uma reconstrução geral que inclui ego moralmente qualificado, com prazeres físicos dignos de serem expostos em uma mesa de bar, pois precisamos nos vangloriar. Ou então, o passo mais corajoso, ditando cautelosamente os centímetros de uma decisão ( você não quis ser esquecido, você foi rei, mas o rei caiu ) friamente tomada. Isso é viver, isso é amar, isso é morrer.
Vivendo de uma forma empurrada com o saco, morrendo heroicamente por um peito pulsante. Não importa, nunca será o bastante.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Uma Rosa

Como um soco no mundo o laço simples fez unir. Nada extravagante, nada de extraordinário. Ela só quis viver o comum da vida esquecida. Ambições morreram por ela ter escolhido o amor. Abdicou-se de qualquer outra vida pela fé em um marido, pela esperança nos filhos e pela gratidão aos pais. Ah, é claro, seu Deus corria forte em seu sangue. Pra ela era como uma espécie de combustível.
Dia após dia, na calma de anos monótonos, viu a vida exercer o tempo. Foram-se os filhos lhe restando o fim dos tempos com o marido.
Ops, um engano, o fim não era agora. Chegou Larissa, a filha que surpreendeu. E lá vai Rosa com mais uma cria. Uma nostalgia real. Alegria pela casa, era isso que faltava. Larissa trouxe sorrisos antigos a tanto esquecidos.
O tempo seguiu com seu trabalho. Aquele papo de se preocupar com a saúde passou batido e esse foi o erro. O diagnóstico tardio pro crescimento de células desordenadas em sua cabeça nos fez iniciar a dura contagem regressiva. E que regressão maldita.
Os espinhos de rosa machucaram à todos. E das nove flores no jardim, será Rosa a primeira a murchar.

É complicado admitir, mas em questão de dias minha tia morrerá. Esse texto é pra ela.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Jetully

Olhe pra mim agora
Olhe pra mim agora
Eu sou real
Eu sou sua mente
Eu sou sua dor
Eu sou seu medo
Olhe pra mim agora

domingo, 14 de agosto de 2011

Sonhos

Falar disso é tocar numa ferida ou literalmente adubar alguma esperança. Costumamos passar a maior parte dos nossos dias nos desgastando em coisas que odiamos numa rotina cansativa e entediante. Nos prendemos perdidamente em matérias que não somam nada em nossas vidas, ostentamos buracos vazios cegamente exibidos com uma tarja de glória e honra. É aquele clichê verídico de que "nem tudo o que reluz é ouro".
Acomodações preguiçosas, dramas exagerados e injustos, menosprezo consigo mesmo, o orgulho passando dos limites nos trazendo ódio e aversão. Tudo isso são descontroles que nos fazem perder momentos de liberdade que jamais serão esquecidos. É a mente fraca fodendo a esperança, são desistências cagando em uma história, e por fim, nossa covardia nos levando a um infarto comum e qualquer, derivado de caminhos indesejados que exterminaram todas as vozes que gritaram desesperadamente em nossas cabeças.

Costumamos querer demais pro pouco que realmente é necessário. Exageramos muito nessa dose quando na realidade, só nos bastava ser. Existe um leão dentro de nossas cabeças e pra esse leão nós temos duas opções: Domá-lo, dando ao mundo uma mente a mais pra controlarem, e libertá-lo, dando a nós mesmos a chance seguir em frente evoluindo.

Prefiro deixar minha vontade me matar do que deixá-la morrer. Eu vou seguir, tentar e errar. Não preciso da sua falta de fé pra alcançar. Vai ser assim pra sempre.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Hatinsi

Era verde e vinha caminhando desengonçadamente. Eu estava confuso mas vi os olhos brilharem pois um feitiço os protegia de qualquer disparo automático. Aquelas tardes que passei frente à tv serviram finalmente pra algo, quando tive que partir pra "manualidade" dos contatos. Sua força suprema de um garoto rejeitado na sede de vingança me envolvia, mas consegui me abstrair da dor. Duvidosamente quebrei sua cabeça de barro. Eu não queria ter feito. Tarde demais.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Dufiny

Não me importo com seu câncer.
Não me preocupo com seus olhos.
Não existo pra sua dor.
Vá bater em outra porta
pois não quero seu amor.


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Lemuel

É estranho você se sentir um nada por alguém que é julgado um nada. Um bom cigarro, bebida e roupa cara, atitudes planejadas que buscam atenção. Nós somos assim, extravagantes e orgulhosos, fúteis em um determinado padrão de vida que criamos. O bem estar que nos acomoda cria vínculos viciosos com coisas supérfluas, coisas desnecessárias que passamos a desfrutar de uma maneira acomodada num sistema de vida egoísta e hipócrita. Por mais que tentemos o contrário, diariamente mesmo que inocentemente, comportamentos hipócritas são cagados no rosto dos outros. Queremos o bom e o melhor, não aceitamos com agrado o que não se encaixa num determinado modelo de perfeição. Preconceito guardado pela vergonha do que talvez não seja suficiente à nossa ambição. Saímos de casa buscando embriaguez ou alguma sensação alucinógena. Somos um perfil de status preocupado em demonstrar belas aparências.

Despercebidamente, taxamos à lixo corpos semelhantes. Talvez pelo que você diz ser questão de higiene, ou por os considerar vagabundos e bêbados, ou somente pela sua repulsa preconceituosa. Todo aquele mal cheiro exala o aroma do mundo que criamos, do chão que cuspimos, da fumaça do carro que nos causa orgasmos, ou do lixo que a pouco tempo era algo útil nas mãos de quem pagou pra tê-lo. É tão estranho perceber o valor de alguém que se desvencilhou, abdicou-se de bens materiais pra rastejar feito uma lombriga corrosiva e doente pelo chão que privamos por classes sociais, vivendo a Deus dará numa vida por instintos que matem sua fome. É automático um pensamento negativo no momento em que batemos o olho em alguém que mendiga dinheiro pra comer, beber ou se drogar. Esse egoísmo é o que nos evita de um espelho justo, o qual mostraria a verdade que raramente nos damos conta: Somos a mesma espécie de animal.

Lemuel foi um mendigo que conheci. Ele me confessou ter perdido a vontade de viver. Lemuel ficou preso 17 anos por decepar o estuprador de sua irmã que era portadora de síndrome de Down. Hoje o mundo o evita, sua família lhe nega e as drogas o matam. Mas isso é irrelevante, afinal, a vida miserável que não temos não importa.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

baby baby

Ela era Rose,
foi estuprada.
Ela era Kate,
foi assassinada.

Eu sinto que agora não posso mais sentir.
Meio tonto, tonto e muito bem.
Meu bem, essa porra me deixou doidão,
e eu quero que você me mate, agora amor.
Venha.

Sinto que nada sinto.
E eu tento.
Já vivi demais meu bem. Eu perdi, era meu jogo.

Tentei tentei tentei.

O céu tão belo,
inimigo do erro, erro qual fui rei.

Cale a boca kate, você está morta.
Rose sangra ao meu lado, exclama, me pede calma.
Um corpo avulso, tal carne vazia, sua alma já partiu.

HEY HEY HEY

Eu sinto o medo dessa dor.
Dedos impulsivos, culpados foram eles.
Não tive intenção.

Minha flor, eu te amei.
Mas esse amor era estranho.
Me enlouqueceu, quase me matando.
Só não deixei que o fizesse. Fiz por você .
Por mim, por nós.

Me espere, o gatilho está de prontidão.
Hahahaha é engraçado ver você sangrando.

sábado, 9 de julho de 2011

Vazio

Um soco no meu saco.
Aquela história. Bela história.
Um trauma heim.
A culpa é sua.
Sua dúvida tão grotesca,
pôs na merda minha ideia.

Conheço o meio, pois o fim é meu agora.
E o começo ? O pior.
Isso muda o que vem depois.
Mudou. Aqui mudou.

Olhe com 3 olhos,
pois 2 podem não ser suficientes.
Um realismo tão extremo,
que seus dentes são chutados pelos próprios pés.

Você conseguiu.
Mas e meu trauma ?
foi você que o causou.

Ah, esquece.
Você nem deve se lembrar.
Irrelevância filha da puta !

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Purgatório

Nossa queda natural,
instintos ao breu de um caminho.
Medo frio que se sente,
O mal dito ao ato feito.
Seio seco, vida ausente.

Foi-se Deus,
sua bíblia,
minha vida.

Não há amor.

Intocável ao justo.
Impuro ao bem.
Ardo sangue por pecado,
queimo carne desonesta.

Anjos negros me apunhalam.
Algo medonho me possui.
Nem saudade arrependida
traria a mim um pulso de querer.

Queimo abaixo.
Agora, sozinho, no inferno.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Inpytiment

Olhe pra mim.
Este não sou eu.
Aquele qual é feito de pedaços desprezados
jogado contra a fé.
Nasci no nada e vou de encontro ao mundo.

Engano,
pois a carne em que vivo se nega por dor.
Estranho,
pois o quente que me faz queima em brasa todo medo.

E mentem, eu iria conseguir.
E cospem, tão bem feitas, citações do que seremos.

Distinto, igual, livre.
Palavras nossas, confundido a nós mesmos.

Você não me escuta,
pois lhe chamo toda noite.
Você não me sente,
pois lhe peço toda noite.
Você não existe,
pois lhe nego por mim mesmo.

Deixados rumo ao fim,
matando meros iguais.
Doutrinas suicidas,
onde o certo não importa.
Um tiro ao alto pelos fracos que caíram.
Fodendo o nosso, esquecido, deixado de lado.

Palavras nossas, confundido a nós mesmos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Med io ia

Rangendo os ossos,
flagelando por caráter.
Minha sobra egoísta.
Meu eu-lírico mascou o sol,
queimou a alma e ardeu em chamas.

Mas eu preciso.
Pegue minhas drogas.
Corra. Pegue minhas drogas.
Preciso das minhas drogas.
Preciso fugir daqui.

A pedra opaca pesa o peito.
O ferro come em minhas veias.
Nada alivia.
Nenhum escape.

Tempo, seu filho da puta.
Aja agora em meu favor,
pois nada natural flui em minha mente.
Preciso das minhas drogas.
Pegue minhas drogas.
Pegue minhas drogas !

terça-feira, 28 de junho de 2011

Abstinência

A luz de um túnel cada vez mais estreito
ilumina agora somente minhas mãos.
Rasgos pessoais por vitrines superficiais.
Fumaça e liberdade,
tragadas por desleixo.

A cada risada um certo desespero.
O medo em machucar,
pela vontade em prosseguir.

É aquele peso que atrapalha.
É experiência morta por não ter me feito bem.
Ensinou-me a ser escravo,
ter vergonha por ter feito.
Mas aqui ao meu encontro,
nada tem me satisfeito.

Diferença pisada por meros semelhantes.
Sensação distinta prisioneira e agoniante.
Os passos tremem de incerteza.
Tenho medo do que fui,
e incerteza porque fui.

Minha renúncia voluntária
ao qual chamei de necessário,
me traz fome de saudade
do taxado, do vazio.

Faz bem, faz mal.
Mãos aflitas pela minha abstinência.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Unacina

Esperar o fim do dia.
Esperar o dia seguinte.
Esperar novamente.
Esperar, esperar.

O que é perfeito ?
Queremos corpos moldados,
ou qualquer artificialismo irônico visível a um espelho.
Todo perfeito sempre tão distante.

Alusões vagas, impossíveis.
Desdenhar do realismo maltratado.
O qual julgamos insuficiente,
e ao mesmo tempo sonhado por muitos.
Injusto. Muito injusto.

Braços curvos, curtos e frágeis.
Não carregamos o necessário.
A origem do final já esperado,
mísero e esquecido.
Até Deus nos abandonou.

Monótono e aceito.
Calmo e escravo.
O fim chega com o tempo.
E assim leva um, dois, milhões.

" Escravos do mundo, perdidos por tempo e cegos por um futuro melhor do qual jamais terão. Aquela velha história de fé em Deus, da crença alienada em um livro. Uma esperança eterna, mas somente esperança. O câncer que lhe roubou rezas foi o mesmo que te matou. "

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sanato

A pálpebra tão jovem, mutilada.
Sebo dominante.
Mal cheiroso, seu cabelo desprezado.
Desprendido mesmo enquanto provido.

Admirável, diante de tanta bajulação mesquinha.
O óleo insolúvel na água.
Nunca perdeu-se.
Sempre firme e muito sensato.

Não queria dinheiro.
Não queria artificialismo.
Não queria o clichê da juventude.
Descaradamente correto.
Sozinho e abandonado.

O pai lhe expulsara de casa.
Anomalia vergonhosa para um puro sangue tão tradicional.
Incessantemente,
a mãe cuspia em seus ouvidos
tentativas de um aborto mal sucedido.

O tempo então lhe criou.
Fez suas verdades plantando um homem.

A aberração desprezada.
Nunca se importou.
Sua força regenerava e era sábia.
E toda mediocridade sofrida,
reverteu-se em merecida glória.

O desgraçado menosprezado.
Hoje buscado, copiado.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Khornisys

Como um zíper em sua pele,
o punho prata crava agora.
Escorreu e era comum.
Senti o gosto do seu sangue
até me embriagar.

Que o veneno de suas veias me entorpeça
igualmente a droga que me encorajou.
E que sua carne tão macia adoce o fedor da minha boca.

Preto breu ou argila intocada.
Uma tela vazia, uma mente farta.
A explosão inesperada.
Julgue minha boca sincera,
mas agradeça pelos tapinhas falsos que não dei em suas costas.

Desnecessário transtornado,
planejado e proposital.
Vocês sabem disso, sabem de tudo.
Só lhes resta coragem, bando de covarde.

Mas eu cravei e vou além.
Quero descobrir o que tem dentro de você.
Poder lamber seu cérebro, acariciar seu pâncreas.
E é claro,
descobrir se você realmente possui um coração.

domingo, 15 de maio de 2011

Perlings

Paletó X camisa rasgada.

Abra os olhos para o estupro aniquilado/assassinado de seus velhos pensamentos, de suas velhas vontades. Sua geração negou instintos, serviu vontades procedidas e seguiu na mesma linha contraditória dos impulsos.
A mesma tradição comprada pelo status, o tal copo de Whisky escocês e o velho papo sobre charuto em um escritório hipócrita.
Ao seu lado uma insônia eterna. Poderes persuasivos de querer julgar digno, e você nunca mereceu o topo.

Nós cuspimos no chão, coçamos o saco, pixamos muros e exibimos nosso orgulho através do papo sobre porres e noites em que estivemos sobre o efeito de alguma droga. O combustível pra isso tudo talvez seja seu passado, tudo reprimido, tudo evitado. Somos sua vergonha, repulsa ou algo do tipo.

Mas você aí, embaixo desse terno. você é feliz ? Esses papéis lhe satisfazem ? Status e monotonia é o ponto G pro seu orgasmo ?
Ah sim. Você sentiu as mesmas vontades mas o medo lhe negou.
Sinto muito meu caro, o melhor da vida não se compra.

Se permita. Sempre.

sábado, 30 de abril de 2011

Acrupps

Caminhe 3 passos e plante uma semente azul. Os morcegos cuspirão os diamantes secretos, o mundo falirá e nossas asas irão queimar. O sempre sempre muito nada, nosso nada nunca sempre. Tudo meramente forjado, toda ficção irrelevante, preços por prazer, buscas dolorosas, traços forçados.

Acorde seu gorila indomável, cuspa no chão e faça xixi em uma árvore. A foto de um papai noel mimado, uma criança aidética morrendo na África por desnutrição e nossos sorrisos por bebida. Queremos vodka, queremos Whisky do bom, uma cerveja consagrada, cápsulas de cocaína e uma graninha pro baseado. Tudo em volta queima, nossos olhos derretem a cada droga que nos acalma.
Benflogin causando orgasmos psicodélicos.

Um jovem com o carro do papai forçando a transa de uma garota pobre, tímida e acanhada. Será ela mais uma desvirtuada, pois as borboletas estarão morrendo. Um rapaz deu um tiro para o alto, todos correram e só restou jacó. Jacó não corre, sobrou por ser um merda, e a merda que lhe fazia uma aberração matou-o.
Sangre aberração. SANGRE ABERRAÇÃO, SANGRE !

A esquizofrenia está dentro de todos nós. Liberte-a. O normal enche o saco pois toda tradição menstrua em nossa boca. Durma durante a prova com pupilas dilatadas. Sinta a picada final, adormeça para sempre. É o tempo meu amigo, é o tempo.

Sua Tv precisa ser desligada pois sua vida não é um seriado americano.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Nabgori

Olhe à sua volta. Você está aonde queria ?

É estranho saber que certeza não existe e que a luz que procuramos pode nos deixar cego. Uma abstração incoerente sobre nossa realidade, sacrifícios exacerbados pela nossa alienação costumeira e fatídica.Tudo o que fazemos , somado a tudo o que fomos, resulta claramente na idéia do nada que somos. Sacrifícios, lutas, tentações por suicídio. Um legado, um traçado. Vivemos mundos dos quais odiamos sustentando esperança. O desgosto explícito, suportado por um sonho.

Então o momento chega desabando cada idéia em vontade, pois tudo foi em vão. Muito do que fazemos, pelo pouco do qual sentimos prazer.
Você que se diz melhor que alguém, saiba que a glória está distante inclusive de você.

Vivemos uma ficção sem autoria, da qual planos não procedem pois impulsos é o que nos guia.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O que diria sua bíblia ?

Matam 12 e choram culpas de um estado.
Ele sabia.
Já estava escrito.
Maldita fé.

Muito teocentrismo pra pouco saco.
Graças e glórias,
O que julgam de bem tem então dedo divino.

Citaram em um livro
que um cara lá em cima tem domínio sobre nossas escolhas.
Mas da culpa o livram a cada desgraça.
Sendo assim, pagamos nós o preço por nós mesmos.

Corre vida, come bala.
Luto, e falso choro.
Tanta hipocrisia em lhe adorar,
que suas feições a mim permanecem estupradas.
Tanto sangue frio,
capaz de confundir a fé de qualquer um.

Eram crianças,
e você deixou.

Deixou ?
Você sabia mesmo disso ?

Deus sabe o que faz.
Deus existe mesmo ?

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sarcas

Mostre-nos motivos,
pois mostramos os problemas.
Você nunca esteve aqui,
nem sentiu o sol arder sua pele.

Fracassou, mentiu.
Você sangrou crianças.
Fez miséria por contradição.
Errou em ser um homem.

Enfie o sorriso na sua bunda.
O dinheiro te protege.
Venha a nós, tenha coragem.
Sua imagem me estupra.
Seu espelho sente vergonha,
preferia não lhe refletir.

Carregamos nossas armas,
sem direito de atirar.
Esse grito tão incômodo,
é força que nos resta.

A morte não nos assombra,
palavras não morrem,
verdades não sucumbem.
Honro aqui nossa vigília.

quinta-feira, 24 de março de 2011

In my head

Por um efeito
cego de medo
Vício que deus não diz a respeito

Um passo certo
Algo bem forte
A luz que cega quem deseja a ver
Você sabe
sabe como é

Sei o que pensa,
mas essa é minha mente
Nunca quis o topo
ou estar acima

Livre de tudo
e de mim mesmo

Eu quero sentir
quero sentir na minha cabeça
na minha cabeça
livre
quero sentir
sentir

domingo, 20 de março de 2011

.

Nada.
Nada me representaria.
Calos inexistem,
mãos morrem.

Observe-se.
Aqui, a dor sobrepôs a audição por palavras não medidas.

Andei no caminho contrário,
com o tempo me desconheci.
Tentei ser muito e hoje nem o nada me pertence.

Você nunca me mereceu.
Sinto vergonha de mim mesmo.
Impotente por assim ter lhe deixado,
em ser a culpa de sua maquiagem borrada.
Tenho medo por você.

Estranho sentir,
voltar a ser isso.
Me acostumei com o céu
sem nem lembrar que inferno existia.

O mundo hoje lhe acolhe
ao mesmo tempo em que me esquece.
Dão graças por você.
A mim, os pregos dessa cruz.

Siga em frente sem medo.
Te ensinei a ser forte,
Diferente de mim, espero que consiga.
Por você mesma.

Um outro lugar me espera,
um outro dia nos veremos.
Mas tudo que te disse é verdade e permanece.

Um todo tão irrelevante,
palavra nenhuma suficiente ao que sinto.
Horrível, totalmente complexo.
Não sei nem se sou eu mesmo.

sábado, 12 de março de 2011

Nós

Sorrir com você,
enquanto na verdade
eu desejava não estar ali.
Olhar pra sua pele,
e a acariciar
me sentindo na obrigação de te fazer feliz.

O pouco que eu pude ser a você,
foi muito, comparado ao que eu pude fazer.

Eu não pertenço a esse lugar,
eu não pertenço a sua realidade.
Minha presença fracionada não é suficiente,
pior ainda é não haver outra saída.
Meu mundo começou,
estou dando a cara a tapas.

Deitar na grama ao seu lado e falar de futuro,
nem isso funcionou.
Não quero ser de mentira,
empurrar o seu tempo.
Já não faço tanta diferença,
e isso eu sinto.
Não tente me provar mais nada,
isso eu sinto.

Entregues pela sorte,
tudo que era nosso caiu numa rotina.
Nunca liguei de não ter tempo pra mim.
Nunca me importei com meu esforço feito.
Me chamar de impaciente
talvez hoje tenha nexo.
Mas, não é só culpa minha.

Esperei seu tempo,
esperei seus medos.
Vivi em seu tempo,
vivi em seus medos.

É ruim sentir isso,
mas pior é mentir.
Se não for pra ser forte,
não faz sentido insistir.

Garanto que é pra sempre por mais que não seja físico,
pois tudo o que passamos nem o tempo vai apagar.

Obrigado por tudo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dezoito

Qual tolo nunca sonhou em se tornar maior de idade ?
Dias de insanidade com independência,
poder e glória.

Erramos seriamente.

Aquele mundo novo do qual eu sempre esperei não veio.
Conquistei apenas responsabilidades
das quais esperava ter anos mais tarde.

Minha perspectiva de façanhas e conquistas.
Meu desejo a algo drasticamente foda.
Tudo somente imaginado.
Amanhã irei acordar e reviver os velhos dias.
Refazer a mesma rotina.

Não quero nada material.
Almejo apenas coragem.
Coragem, é disso que preciso.
Pois daqui em diante,
não haverá nada que me acoberte.
A verdade serei eu,
contra o peso de uma sociedade.

Sozinho e por mim somente.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Erugane

As dores do mundo pesaram seu traçado.
Olhar pra trás não ajudou,
só o fez piorar.

Decepcionado por sua presença,
Talvez normal demais pra ser lembrado.
O bom garoto da vovó,
o filho médico que mamãe queria ter.

Dentro de sí culminava algo parecido com ódio.
Era o próprio desgosto em não poder dar orgulho.
Veio de uma humilde família,
da qual passou a ser a esperança.

Visto e tido com seu jeito perfeito,
claramente seu externo demonstrava um mundo monótono.
Depressão era algo irreconhecível,
nem ao menos um hamster tinha ele pra chorar.

De carne e osso.
De sonhos distantes.
Deixou-se influenciar por decisões dos pais.
Não era essa sua vontade,
mas aceitou por não haver o direito de gritar.

Desgaste, cansaço.
E então seu estopim.
Restou-lhe uma dúvida.
Teria ele a coragem ?

Deu 3 passos e saltou.
Provou que não queria sua vida.

"If I can't be my own, I'd feel better dead"

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Aludicito

Despertou cedo. Contrapondo o próprio corpo.
Meses de cansaço aparentes por sua curvada coluna.
Vocabulário indiferente. Vítima de convivência.
Perdeu até a timidez.

Mentalmente um assassino.
Passos de angústia, desespero em quem tornou-se.
Ele já não pensava. Ele já não amava.
Nada sentia. Por nada chorava.

A auto-decepção paga por um salário de merda.
Vendeu seus sonhos, aniquilou suas ambições.
Nunca mais haveria de aclamar o tempo todo de um dia,
só queria o ver terminar.

E assim foi-se.
Dias, Meses, anos.
Quando finalmente conseguiu chorar,
culpou sua fraqueza pela bala que estouraria sua cabeça.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sullivan

Doses de etanol mal induzidas juntamente a seu diazepam.
Sonhos, amigos, familiares; o que ditava suas baquetas. Sua arte em ser o mais alegre, prometer o imprevisível, deixando levar-se a vida de realizações, alcançando a grandeza sempre invejada.

Jimmy, The Rev, o irmão, o melhor.
Disse não passar dos 30. Não passou. Disse entrar pra história da música. Entrou. Intensidade em seus risos. Ele sabia de sua grandeza, sabia da mudança que causara em milhões de adolescentes.
O desespero em cada trecho de sua voz.

Sua nobreza em ser ídolo, não me permite lhe definir. Quero dizer que sinto sua falta. Sentimos. Morremos por ti, a cada segundo de Avenged.
Desculpe cara, de tão grande que foi, não consigo lhe descrever.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Indiferentes

A humildade em não ser grande,
a cada praça de desgosto.
Ironia de uma vida,
Sofrimento próprio aceito.

Putas de um mundo.
Escravos de rotina.
Pobres de alma.
Ausentes de ambição.

O mundo pisa em seus sonhos,
mal fazendo seus direitos.
Corre o tempo, morre a carne.
Um ninguém você vai ser.

Sociedade de desgostos.
Preguiçosos por prazer.
Sorria amargamente ao seu nada,
por sua indiferença em viver.

Despercebidos morrem,
por nem a pena lhe valer.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Zero

Egoísmo. Talvez isso. Senhores de idade a beira da morte, com lembranças amargas de uma vida hipócrita, moldada aos modos de um povo. Lamentarão eternamente a covardia por não terem sido egoístas. O tempo é inocente. É uma questão de frieza. Enxergo somente meus pés, que rasgam o chão sem temer ao que é desconhecido. O molde está pronto e intacto a novas reformas. A calma em prosseguir sem nexo é o que nos faz manter o controle. Vontades próprias, portas fechadas.É desgosto, é tabu. Um metro quadrado de alma que não pode ser tocada. Carne de anacronismo, de um corpo sem sentido que é legítimo mas não está ultrapassado. Nunca esqueci, não tenho raízes, não tenho planos . Minhas sinceras desculpas a quem não sente reciprocidade. Estou em linha reta, em um caminho diferente. Sou de agora, sou vontade.

O mundo é dos egoístas.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Pai nosso

Pai nosso.
Tua vontade idolatram sem ao menos conhecê-la.
Bebem do teu sangue,
comem do teu corpo.
Vivem por teu nome
mas os vejo morrer esquecidos.

Minha negação ao que não sinto.
E me desculpe,
mas não tenho lhe sentido.
Um peito vazio.
Uma vida sem fé.

Meu mestre,
as coisas estão a piorar.
O luto diário por falência,
quedas de mal gosto em tentação.
Querem vingar cada gota.

Orei por cura e pela glória.
Pedi por bem, mas tudo em vão.

Discípulos armados
sangraram nossa história.
Sempre a velha hipocrisia,
pelas regras em lhe aceitar.

Obrigado por morrer à nós.
Mas, pai nosso
nós o abandonamos.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

spoondumblum

A velha chata e insensata: - "Filho da puta eu vou chamar a polícia".
Sua tradicionalidade é que me envergonha.
Uso piercing e alargadores, não sou pior que você.

Eu posso ser minhas vontades,
mas meu problema é você e sua intenção em cuidar/conter as minhas.
Seu jesus cristo é um lixo.
Prefiro cuspir no chão e palitar meus dentes.
Tanto surpeficialismo por absolutamente nada.
Você masca hipocrisia,
saboreia rancor,
e engole orgulho.
Você tem o pior cocô do mundo.

Velha e chata sim.
Sou mal criado, desgraçado, filho da puta.
Sou a deterioração moral, e talvez sua vergonha.
Odeio suas caretices, seu papo sobre sofrimento, filas de banco.

Acho merecido esse seu câncer,
e digna a sua catarata.
Dou risada do jeito que você anda.
Faço xixi na sua calçada.

Sofra por repulsar.
Sinta a picada em sua língua.
Falar, julgar, mandar. Não é direito de ninguém. Ninguém !

Seu mundo se fecha,
e cada vez mais você morre.
Seu cérebro nunca nasceu,
ora morreu precoce,
por esse farto preconceito.

Conservadorismo de merda.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Novo mundo

Enterrado.
Bem abaixo, em minha tumba.
Larvas fartas me consomem.
A caixa preta me abriga.

Lembrei do dia em que chorei pra não morrer.
Sorri por quando ainda podia ter calor.

O homem se deitou.
Fez seu mundo e descansou.
Viveu de tempo por convívio.
Limitado pela dor.

Abaixo, ao frio.
Devastado por ter sido .
Ausente de alma,
pelo nada em seu vazio.
Lamento aos que ficam,
mas o extremo alcancei.
Vontades feitas e desfeitas.
Todo medo que enfrentei.

Histórias,
somente o que restou.

Abaixo em minha tumba.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Guerra de Deus

Pisando em podres caveiras,
insanamente, um povo impune.
O velho jogo de discórdia,
A velha honra em não perder.
Mentira de merda.
Conformismo em se erguer.

Bastaram tiros,
para a glória então reinar.
Orgulhar-se da desgraça,
da matança por Allah.

Pobre fraco aniquilado,
caminhou pra não chegar.
Em vão portou a arma.
Mal sabia disparar.

Aonde está seu Deus ?
Aonde está a porra do seu Deus ?
Ele te viu caindo ?
Ele sentiu sua dor ?

Arrancando sua vida,
lhe pisando com coturnos.
Chora o homem pau mandado,
Com o sangue desprezado.
Essa guerra é por seu Deus.

Grite o livro sagrado.
Apele o anjo que lhe guarda.
Demônios lhe roubam,
pra que seus olhos se fechem.

Ao final do mundo,
sua mediocridade por morrer.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Santzollin

Homens.
Exigências de convívio, conhecimento, relacionamentos. Necessitamos experiências. Conquistas e principalmente fracassos.
Realidades desconhecidas provam nossos comportamentos imprevisíveis, logo não sabemos quem somos.
Limitação é o que nos priva do que posso chamar de "experiência perfeita", a qual nos daria o direito de nos definir psiquicamente afirmando o que somos.

Nossa honestidade de abstração regressiva soma muito a nossa confusão mental. Impulsos, improvisos, talvez o que sejamos.

Maturidade então é nosso ápice psicológico devido a breve definição de nós mesmos, relacionada a tudo presenciado, vivido. Porém não é o suficiente. Nossa incerteza e complexidade arruina qualquer direito de julgamento ao ato de conclusão humano.

Não existe uma auto-suficiência de definição a quem somos. E talvez seja essa uma de nossas dádivas, o incerto. Buscas por sobrevivência exige a sede de nos descobrir.

O que temos sobre nós mesmos, repito, são breves definições de experiências vividas, não havendo um geral, não incluindo um futuro.

Somente a morte nos dá o direito de conclusão. Somente a morte por ser o fim, permite a resposta sobre quem somos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Pupa que virou larva

Sr. Fidélis.
Saiu de casa bem vestido,
tradição a suas vestimentas.
Seu broche monárquico,
suspensório e chapéu.

Pobre bengala.
Amparando a fragilidade.
O tempo contado,
por rugas no corpo.

Histórias bem ditas.
Vitórias, conquistas.
Passo a passo,
seu pouco ao fim.

E foram guerras,
Milícias, Governos, ditadura.
Seus casos de orgulho.
Seus dias de herói.
Passos, tiros.
Sua então experiência.

Inesperadamente,
vestia um terno.
Portava o bottom do exército,
em chapéu couro de lebre.
Saiu pensando em sua volta.
Dormiu pra sempre,
em sua caixa de madeira.

Silenciosamente,
na calma,
em dia pós dia,
sua hora veio.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Meu clichê

Era madrugada. Quase 4 horas, e não havia sono.
Senti fome. Preparei um sanduíche com as sobras do café. Não estava de acordo, mas pouco me importei.
De volta ao meu quarto, a potente e comovente voz de Layne Staley, era "Bleed the Freak". A vontade de meu vício novamente me venceu. Perdi minhas mãos. Abri minha mochila, e em sua parte mais secreta, retirei meu Dunhill. Haviam 3. Junto ao maço, retirei meu isqueiro, e com um movimento de meu polegar, acendi minha fraqueza.
Sentei-me do lado de fora de minha casa, no jardim, ao lado de um pé de arruda. Olhei ao céu, fixando minha mente, e lamentei o pouco tempo que iria descançar.

Detesto meu emprego. Detesto pessoas folgadas. Detesto esse meu esforço. Faço isso por dinheiro. Hoje é esse o preço da minha cruz. Suporto reclamações que a mim são injustas, suporto o cheiro deteriorante de bicabornato de sódio. Suporto pesos valorizados de cilindros, talvez até mais do que eu. Suporto acomodados que se beneficiam de meu esforço. Tudo pra que eu compre merdas inúteis.
Trabalhamos em empregos que odiamos, pra sustentarmos nosso consumismo. Um par de tênis, ou um chapéu, pelo preço que custar não conheceu o meu suor.
E de saber que essa é a chance, indignadamente devo baixar minha cabeça.
Lamento não poder mais escrever.
Meu emprego me chama, extintores me esperam.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Mais um

A fé de mais um dia,
nossa graça em estar.
Tudo o que erramos,
hoje em risos.

Desespero em agradar.
O próprio corpo secundário.
Acreditamos no destino,
por julgarmos nosso agora.
A desgraça impondo o medo.
O medo nos moldando.

Fortes no contexto de vivência.
Experientes por sermos livres.
Cuspimos em nosso hoje,
esperando o amanhã.
Pisamos em esforços,
raramente percebidos.

Menosprezo.
Ambição.
Nosso tempo surpreendente.
Inclusos ao desnecessário,
generalizados a tudo de ruim.


Perder agora,
ou talvez sempre.
Cagamos ao que não nos convém,
pouco importando a quem seja.

Agradeça a verdade.
Estamos vivos,
pela sorte ou por destino.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Respire

Desconforto.
Nossa mente impaciente.
Despercebidamente,
matamos cada boa ação.

Raiva,
incompreensão.
Sentimentos de revolta.
Tudo nos consome.
Passamos a olhar somente aos nossos pés,
jurando individualidade.
Agimos da maneira mais egoísta possível,
Desejando insucesso
a cada indiferente que nos cruza.

Nos deparamos cegos.
Incapazes de sorrir.
De maneira covarde,
maltratamos nossos anjos.
Ausentamos virtudes.
Descontrolamos nossa calma.

Ao final de um choro,
o injusto que causamos.
O pior nos consumindo.

A qualquer mal,
não se admire.
Cuspa o ódio que te mata,
antes que seu dia termine.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Burocracia

Mostre-me seu sangue.
Fuma maconha ?
Cigarro ?
Você não serve.

Confiabilidade nula.
Justo a poucos.
Honestidade inexiste.
Importam com cifras,
e seu status.

Mente farta de conceitos.
Cansaram a vontade.
Desconfiaram de sua mentira,
querem saber se enganas verdadeiramente.

Pague meu preço.
Faça do meu jeito.
É o sistema.
Prove-me sua vida,
que lhe entrego o desejado.

Não aceitamos piercings,
muito menos tatuagens.
Caráter pouco importa,
o preconceito é pessoal.
Não se vive livremente.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Maldito S/A

Sentei-me em um recanto, onde encantadamente a natureza prosperava.

- Olá senhora cobra. Observo sua raiva por minha presença. Diga-me, não sou digno de estar aqui ou tentador à sua vontade ?
Sem resposta alguma, fui atacado. Indignado, retirei suas presas do meu rosto. Em seguida, percebo movimentos. Ao verificar, encontro um escorpião. Antes que sofresse outra investida traiçoeira, me recolhi de modo seguro a outro recinto que por hora, parecia de paz.

Gritei alto :
 - Somente busco a calma. Somente busco a vida. Verdadeiramente. Como deveria ser. Por instinto. Pelo cansaço de mal-feições causadas por um pedaço de papel.

Sentindo-me inseguro, entrei naquela mata. Quando me sentei por ali, tudo o que desejava era ter consciência das verdades. Uma mata prospera a verdade. Prospera o destino sabiamente conhecido. É chão igual pra qualquer verde. Envolvi meu corpo à arvores devido ao desgaste insensato, o desgaste causador, desgaste por vidas esquecidas. Vidas que quis e não quis. Vidas distantes, vidas tão próximas. Animais me entenderiam por serem somente instinto. Animais me acolheriam por não entenderem preconceito. Animais não me julgariam por não viverem em classes sociais. Toda essa ficção forjada e manipuladora, chamada de mundo, atira no próprio pé. Animais me entenderiam então, por serem irracionais.

Meu desfecho ? Temos de pior, primeiramente, nosso vício de bem-estar. Nos prendemos a um certo materialismo, do qual passamos a julgar necessário. Apanhamos principalmente da realidade, na busca ambiciosa, supérflua, que julgamos ideal. Somos parte da carne que mata por papel. Somos parte do mesmo sangue derramado inocentemente. Em todo injusto, nos encontramos incluídos. Em cada arrependimento, perdemos a chance de não termos feito o que deveríamos fazer. Estivemos todos nós sempre distraídos.

"Sou uma gota D'água. Sou um grão de areia." No acerto de uma bala perdida, buscamos a culpa aonde jamais haveria a coragem em disparar. E na vontade de julgar, primeiramente olhe a um espelho. Sustentamos esse vício. Sustentamos o certo. Sustentamos o errado. Somos o mundo.